Considerado excelente alternativa para segmentos industriais de difícil descarbonização, o hidrogênio de baixa emissão de carbono enfrenta, como uma de suas principais limitações, a necessidade de existência de soluções de transporte seguras, eficientes e economicamente viáveis. Considerando esse desafio, a EPE produziu uma nota técnica em que analisa como alternativa a utilização de redes de gasodutos existentes para o transporte do energético. Entre as conclusões do estudo está a de que a adaptação da malha existente de gás natural pode gerar uma economia de 75% a 90% nos investimentos (capex) em comparação à construção de novos dutos para movimentar hidrogênio de baixa emissão de carbono no Brasil.
O trabalho ressalta que superar barreira logística para o desenvolvimento do mercado de hidrogênio de baixa emissão de carbono implica soluções de movimentação que demandam elevados investimentos. Dependendo da escala e região de produção, a construção de gasodutos dedicados ao transporte de hidrogênio pode mobilizar centenas de bilhões a trilhões de dólares. Nesse contexto, duas alternativas apresentam potencial para reduzir os custos de investimento do transporte de hidrogênio por gasodutos: adaptação da infraestrutura existente para a movimentação da mistura hidrogênio/gás natural; e a conversão da tubulação originalmente destinada ao transporte de gás natural para o transporte de hidrogênio puro.
No caso da movimentação da mistura, apesar do baixo custo de investimento, a opção apresenta algumas implicações técnicas e operacionais importantes. Um exemplo é a redução da densidade energética volumétrica da corrente transportada, uma vez que, para o hidrogênio, esse parâmetro é aproximadamente um terço em relação ao gás natural. Por conta disso, volumes maiores de gás são necessários para fornecer a mesma quantidade de energia aos usuários finais. Outra implicação são os impactos do hidrogênio sobre a infraestrutura existente e sobre os equipamentos consumidores. O transporte de hidrogênio puro por meio de gasodutos de gás natural existentes convertidos, por sua vez, tem sido apontado como uma estratégia promissora para reduzir os custos de investimento na expansão da infraestrutura. Estudos sugerem que essa conversão pode proporcionar uma economia entre 75% e 90% dos custos associados comparados à construção de novos gasodutos dedicados ao transporte de hidrogênio. A alternativa, contudo, também envolve desafios significativos, como os problemas de compatibilização de materiais das tubulações com as propriedades físico-químicas do hidrogênio e a adequação de condições operacionais e de escoamento para garantir níveis adequados de segurança e eficiência.
Fonte: EnergiaHoje
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