A alta de preços do botijão de gás provocou uma disparada no número de revendas clandestinas sem ponto fixo, comercializando o produto em carros e motos por preço menor que o cobrado em estabelecimentos regulares.
A afirmação é do presidente do Sergás (sindicato dos revendedores de SP), Robson Carneiro dos Santos.
Em dezembro, sete pessoas foram presas em flagrante em Amparo (133 km de SP) pela prática. Foram apreendidos 600 botijões. Os revendedores não tinham autorização da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e usavam veículos para o negócio.
Descontando a inflação, o preço médio do botijão de gás ao consumidor subiu 16,39%, para R$ 66,53, segundo a ANP.
Para as refinarias, o aumento foi de 67,8%, após mudanças nas regras da Petrobras, que passou a considerar cotações internacionais para definir o valor do botijão. A estatal está revendo essa política.
Segundo Santos, a revenda móvel clandestina cresceu cerca de 30% desde a disparada dos preços. Ele afirma ser difícil fiscalizar a prática.
Muitas vezes, diz, o consumidor não sabe que está comprando um produto clandestino, que potencializa as possibilidades de um acidente -o comércio legalizado precisa seguir uma série de normas que os clandestinos podem simplesmente ignorar.
No Nordeste, tem crescido o número de acidentes com queimaduras por uso de botijões clandestinos ou etanol.
“O cara [clandestino] coloca na caixa de correios o panfletinho, acaba o gás, a dona de casa vê os preços e pede o mais barato, afirma Santos.
Muitos dos clandestinos, diz, compram o produto diretamente de revendedoras.
Compram, com desconto, dezenas de botijões de uma vez e os revendem ao consumidor por valor menor que o praticado nas revendas legais.
No caso de Amparo, segundo o investigador-chefe do SIG (Setor de Investigações Gerais de Amparo), Waldemar Turola Alves Cardoso, os suspeitos compravam um botijão na distribuidora por R$ 50 e revendiam entre R$ 68 e R$ 70, cerca de R$ 5 abaixo do preço médio da cidade.
A ANP recebeu 580 denúncias sobre revendas clandestinas de julho a novembro de 2017, após a nova política de preços da Petrobras.
Fonte: Folha de S.Paulo
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