Os contratos de petróleo negociados em Nova York registraram na sexta-feira (22) a maior alta diária desde novembro de 2016, repercutindo a decisão da Opep de aumentar a produção da commodity numa magnitude bem menor que a esperada.
Na Nymex, o petróleo WTI com vencimento em agosto fechou com valorização de 4,6%, a US$ 68,58 o barril. Os contratos Brent com vencimento em agosto fecharam em alta de 3,42%, a US$ 75,55 o barril, na ICE, em Londres.
Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiram nesta sexta-feira reforçar a produção em cerca de 600 mil barris por dia. Esse número estava no piso das estimativas de alguns analistas.
Profissionais argumentam que a crescente demanda global e a queda dos estoques em países como Venezuela, Líbia e Irã devem levar o mercado de petróleo a absorver o aumento na produção.
“Esse é exatamente o tipo de gatilho que impulsiona os preços”, diz Harry Tchilinguirian, estrategista-chefe global de mercados de commodities para o BNP Paribas.
O aumento menor que o esperado na produção de petróleo também renovou o otimismo de que os membros do cartel manterão o suporte ao mercado.
“Poderia ter havido muito mais animosidade”, afirma Kyle Cooper, consultor no ION Energy Group. “O mercado está entendendo isso como um sinal de que continua a haver cooperação [dentro da Opep].”
Em 2016, o cartel e outros grandes produtores, entre eles a Rússia, concordaram em reduzir a produção diária em 1,8 milhão de barris, num esforço para eliminar a sobreoferta da commodity. Depois de um ano, os estoques sofreram queda
drástica, levando alguns analistas a declarar o fim do excesso de disponibilidade de petróleo.
No começo deste ano, os preços do petróleo WTI escalaram aos maiores níveis em mais de três anos.
“Há um equilíbrio relativamente apertado entre demanda e oferta, e isso deve impedir que o mercado entre em colapso”, acrescenta Cooper, do ION Energy Group.
A partir de agora, analistas preveem que ruídos geopolíticos — incluindo o colapso da indústria petrolífera na Venezuela e a volta das sanções comerciais dos EUA contra o Irã — possam remover barreiras adicionais ao mercado de petróleo.
Alguns especialistas já estimam que haverá, até o fim deste ano, 1,5 milhão de barris de petróleo a menos no mercado.
Fonte: Valor Online
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