O estado do Amazonas deve perder R$ 2 bilhões com o decreto estadual de 38.910/2018, em vigor desde 26 de abril deste ano e que altera o sistema de tributação do ICMS do gás natural no estado. O impacto da nova norma atinge ainda todos os elos da cadeia, encarecendo o preço do gás natural e também o custo da energia gerada por termelétricas na região. As conclusões constam do estudo da Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás (Abep), que prevê uma paralisia de investimentos por parte das empresas produtoras de gás.
Na última terça-feira (23/10), a entidade, que trabalha em cooperação com o Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), entrou com um mandado de segurança contra a aplicação das novas regras pelo estado. A nova norma cria um mecanismo de substituição tributária do ICMS que, de acordo com a entidade, eleva a carga tributária desde o processo de produção do gás natural. Isso pode atingir 62% do preço de venda, ante o impacto de 5,8% com a regra anterior, inviabilizando operações em curso e novos investimentos.
Para chegar a esses números, a Abep fez uma simulação para mensurar os impactos da nova regra em comparação com as normas anteriores ao decreto. O estudo levou em conta algumas premissas – para projetos de gás – como volume de reservas de 28,70 milhões de barris de óleo equivalente (boe), contratos de 35 anos de produção, preço do gás a US$ 3,94 por milhão de BTU, preço do Brent em US$ 65 o barril e volume de investimentos de US$ 4 por barril, tendo alíquota de ICMS de 25% e royalties de 8%. Em projetos incluindo a produção de petróleo, foi levado em conta uma proporção de 20%/80% para óleo/gás.
Os resultados mostraram que projetos a gás natural teriam uma taxa de retorno de 11,61%, sendo considerada viável dentro do cenário da configuração tributária anterior ao decreto. Quando a nova norma entra no cálculo, a taxa de retorno fica abaixo de 0,01%, sendo considerado inviável. O mesmo ocorre para projetos de petróleo e gás, que teriam uma taxa de retorno de 17,32% no cenário anterior.
Outro impacto está na área de geração de energia, por meio das termelétricas, principal fonte de abastecimento energético da região. O estudo mostra que a alteração proposta por meio do decreto provocará a elevação do Custo Variável Unitário (CVU) das térmicas a gás na região, de R$ 111,19 por MWh para R$ 168,37/MWh, uma vez que o preço do combustível deve passar de uma média de R$ 0,52 por m³, para base de cálculo do imposto, para R$ 1,69 por m³, configurando aumento de 226%.
No entendimento da Abep, o novo marco tributário criou dispositivos considerados ilegais e inconstitucionais, levando a entidade a procurar a Justiça. Além disso, a entidade questiona a elevação da alíquota do imposto, de 12% para 25%, um amento de 13 pontos percentuais. Com essa majoração, o impacto do ICMS por substituição tributária é ainda maior: 2.534% superior se comparado às condições de menor alíquota anteriores ao decreto.
A Petrobras informou que produz, na região, aproximadamente 13,03 milhões de m³/dia de gás, em números consolidados de 2017. Já a Eneva, que comprou o campo de exploração de Azulão da Petrobras no ano passado, pretende construir uma termelétrica na mesmo técnica gas-to-wire que já aplica nas usinas da bacia do Parnaíba, no Maranhão, com capacidade instalada de até 150 MW.
Fonte: Brasil Energia Online
Related Posts
Uso de gás natural no Amazonas evita a emissão de 7,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa
O uso do gás natural tem contribuído para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Amazonas. De acordo com levantamento da Cigás, mais de 7,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa...
Cigás mira em expansão da rede para ampliar vendas
O crescimento expressivo do mercado de gás natural no Amazonas, segundo maior produtor do Brasil, levou a Cigás à terceira posição no ranking nacional da distribuição, ancorada pelo fornecimento para...

