Para aqueles que apostavam na alta do petróleo, novembro foi um mês para ser esquecido. O Brent e o West Texas Intermediate (WTI) fecharam na sexta-feira como o pior mês em mais de uma década, depois que os temores persistentes com o excesso de oferta e as previsões pessimistas para a demanda mundial derrubaram os preços, que vinham dos patamares mais altos em quatro anos, para um “bear market” (uma fase de baixa do mercado) em novembro.
O petróleo do tipo Brent caiu 21,21% no mês, após mais uma queda de 0,75% na sexta-feira. O barril para fevereiro fechou a US$ 59,46. O WTI caiu 1,01% no dia, cotado a US$ 50,93, e acumulou em novembro uma perda de 22,02%. Em outubro de 2008, o Brent caiu 33,46% e o WTI, 32,62%
A impressionante mudança aumentou as expectativas antes da reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), nesta semana, de que a Arábia Saudita vai liderar um esforço para cortar a produção. Mas as incertezas quanto a possível acordo com a Rússia, que participou do pacto em 2016 para reduzir a oferta, vêm segurando os preços do petróleo.
O recuo da commodity na sexta ocorreu em meio a informações de que o ministro da Energia da Rússia disse que seu país vai manter os atuais níveis de produção pelo menos até o fim do ano. Mais tarde, o conselho econômico da Opep recomendou uma queda de produção de 1,3 milhão de barris/dia.
Contribuindo para as incertezas sobre os planos da Opep, há o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que conclamou a Arábia Saudita e outros membros do cartel a evitar cortes. As palavras de Trump em apoio à família real saudita na questão do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, levaram a especulações de que campanha de pressão poderá influenciar os planos de Riad para o petróleo.
Tudo isso acontece no momento em que os produtores de xisto dos EUA mantêm a produção numa velocidade recorde. A Agência de Informação de Energia dos EUA elevou as estimativas, afirmando que a produção deverá superar os 12 milhões de barris/dia até a metade de 2019. Em setembro, ela cresceu 1,1% para 11,48 milhões de barris/dia. Os estoques de petróleo crescem há dez semanas seguidas (14% no período), na maior sequência de expansão desde 2015.
Com novembro chegando ao fim, observadores do setor preparam-se para mais volatilidade conforme o mercado pondera as possíveis ações da Opep com a saudável produção dos EUA e uma desaceleração da economia mundial que poderá minar a demanda.
Analistas do JP Morgan estão prevendo uma “recuperação moderada” dos preços do petróleo no primeiro semestre de 2019, comparado aos atuais níveis, com isso dependendo de a Opep e a Rússia reduzirem a oferta. Para o restante do ano, o banco acredita que o crescimento global mais lento derrubará mais os preços.
Economistas a analistas consultados pela Thomson Reuters reduziram as estimativas para o preço do petróleo em 2019. O Brent deverá ficar em média em US$ 74,50 o barril no ano que vem, queda em relação a previsão de US$ 76,88 feita em outubro. A média de negociação do Brent desde o começo do ano é de US$ 73.
Fonte: Valor Econômico
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