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Seminário Internacional na Argentina pode impactar negociações e cenário futuro do gás natural

A troca de experiências entre Brasil e Argentina durante o Seminário “Pré-sal e Vaca Muerta: a nova realidade energética do Brasil e da Argentina”, que aconteceu nesta quinta (16), na Embaixada brasileira, em Buenos Aires, além de evidenciar a dimensão e a capacidade da produção de gás natural do Pré-Sal e das potencialidades da Vaca Muerta, pode trazer benefícios na negociação da Chamada Pública Coordenada, que acontece desde agosto de 2018 e envolve o suprimento de gás natural para cinco distribuidora do Brasil.

A análise foi feita pelo diretor-presidente da Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGÁS), Rudel Trindade, que participou do encontro com representantes das distribuidoras Gás Brasiliano, Sulgás e da Abegás. “Foi um evento de altíssimo nível e pudemos entender que o Vaca Muerta ainda terá um tempo para amadurecer e estabilizar a produção de gás na Argentina. Pelo menos uns cinco anos para chegarem a um nível de produção bom, na faixa de 20 a 30 milhões de m3 por dia”, pontuou.

Ainda segundo Trindade, a produção atual na Argentina ainda é pequena, devido à crise no País. “No verão argentino sobra gás natural, o que impacta muito a Bolívia, pois eles acabam importando menos gás natural. Diante disso, podemos inferir que essa ‘sobra’ da Bolívia pode ser exportada para o Brasil e isso de forma mais barata. Então o que temos que fazer é nos atentarmos a esse fato”.

Outro ponto destacado pelo diretor-presidente foi a exposição do potencial brasileiro na produção de gás natural. “Para nós foi interessante ver o potencial do Pré-Sal, o tanto que o Brasil está produzindo de gás natural, que irá triplicar até 2030. Isso vai criar um grande impacto em Mato Grosso do Sul e vai acabar demandando menos gás da Bolívia, o que nos leva a uma negociação melhor na Chamada Pública Coordenada de suprimento que está em vigor. Assim poderemos barganhar mais os preços com nossos potenciais supridores e ainda não ficarmos amarrados em contratos de longo prazo, em função desse cenário”, explicou.

Além dos cenários energéticos do Brasil e  da Argentina, durante o Seminário foram apresentados temas como a experiência do Brasil no Pré-Sal, as política necessárias para os investimentos no Vaca Muerta e as novas possiblidades de integração energética do gás natural e da energia elétrica.

Para o presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Natural (Abegás), Marcelo Mendonça, o encontro foi de extrema importância para o mercado do gás natural da América Latina. “Com a apresentações excelentes dos potencias do Pré-Sal e da Vaca Muerta vislumbra-se a possibilidade de mudar o cenário energético na América Latina. Com as reservas prováveis da Vaca Muerta, a Argentina poderá passar a condição de exportadora e com isso possibilitar sua integração com mercados de outros países, inclusive com o Brasil. Em suma, o que vimos hoje é como tornar viável essa integração”, finalizou.

Vaca Muerta

É uma formação geológica localizada na Bacia de Neuquén, sudoeste da Argentina, considerada uma das maiores fontes de gás xisto no mundo. Estudos realizados pela Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) da Argentina apontaram que a formação geológica tem potencial enorme para obter gás e petróleo, o que segundo relatório internacional do EIA (Energy Information Administration), de 2013, significaria multiplicar 10 vezes as reservas atuais da Argentina.

Atualmente a Argentina importa gás boliviano, mas não tem medido esforços para impulsionar a produção de xisto e o fornecimento de gás natural. Está projetado para 2019 a concessão dos contratos para a construção do gasoduto de 1200 quilômetros, que levarão gás natural do Vaca Muerta para Buenos Aires. Os contratos estão orçados em US $ 1,8 bilhão.

 

Fonte: MSGÁS / Comunicação

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