A abertura do mercado de gás natural em estudo pelo governo pode acarretar em redução de custos para o consumidor final, principalmente as indústrias, ampliando a competitividade delas, porém não é possível precisar que essa queda será de 50%, como quer o Ministério da Economia, de acordo com a avaliação de Ashley Brown, especialista em regulação de infraestrutura e diretor executivo da Harvard Electricity Policy Group (HEPG).
Segundo ele, a quebra de um monopólio como o da Petrobras trará eficiências que possibilitarão a redução de custos. Por outro lado, o preço do gás, por si só, é volátil e a alocação de riscos deixará de ser de um ente público para ser assumido por investidores privados, que precificarão esse fator em seus cálculos.
“Não é algo que você consegue prever. Se eu fosse arriscar, diria que os preços vão cair porque hoje temos um mercado ineficiente. Mas dizer que será de 50%, não tem como saber”, afirmou o especialista, que esteve este mês no Brasil, para uma série de compromissos acadêmicos, em parceria com o Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getulio Vargas (Ceri/FGV), no Rio.
Ex-integrante da agência reguladora de serviços públicos de Ohio, nos Estados Unidos, e ex-consultor da agência reguladora de gás da Argentina (Enargas), Brown diz que o Brasil precisa realmente fazer uma reforma no mercado de gás para tornar o país mais competitivo. “O preço do gás no Brasil é mais de três vezes o preço no mercado dos Estados Unidos. Há razões para justificar um preço mais alto, mas três vezes mais?”
Defensor da instalação de um mercado “spot” (à vista) de gás natural, o especialista acredita que a medida traria a liquidez necessária para o mercado e para a comercialização do produto para termelétricas, cujo funcionamento é flexível, ou seja, quando há menos água nos reservatórios hidrelétricos ou menos produção de energia eólica e solar.
Brown é contra a ideia de contratação de térmicas “na base”, jargão do setor para a operação contínua dessas usinas, para justificar a comercialização do gás. Para ele, isso seria um subsídio cruzado. “Não pode jogar o custo [da logística e fornecimento do gás] nas costas da termelétrica. Basicamente, você estaria usando o setor elétrico para subsidiar outros usos do gás natural. Não acho que faria muito sentido. O [mercado de] gás natural deveria ser autossuficiente”, completou.
Fonte: Valor Econômico
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