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Golar planeja mais dois projetos de GNL

Dona do primeiro terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) privado do país, a Golar Power, joint venture entre a norueguesa Golar e o fundo norte-americano Stonepeak, planeja investir em outros dois novos terminais do tipo no Brasil, com investimentos de quase US$ 1 bilhão, e atuar em parceria com distribuidoras estaduais de gás para ampliar o fornecimento do energético nas áreas de concessão dessas empresas.

No momento em que o governo discute formas para tornar a indústria brasileira mais competitiva, a estratégia da Golar Power é baseada em dois benefícios estimados para o país: reduzir o custo da energia elétrica e diminuir o volume de importação de diesel, cujo preço é sujeito à volatilidade do mercado internacional.

“Estamos tentando fomentar uma solução alternativa que consiga endereçar os problemas mais nevrálgicos do país, que são o preço da energia elétrica e todas as questões do preço do óleo diesel. Temos a filosofia de que o mercado tem que ser livre. A melhor solução para viabilizar a redução do preço do frete, do preço do combustível, é substituir a parcela importada de diesel por GNL”, afirmou o presidente mundial da Golar Power, o brasileiro Eduardo Antonello, que fica baseado em Londres.

Empresa já constrói uma usina em Sergipe, com a Celse, de 1,5 mil MW, que está com cerca de 90 % das obras concluídas

Embora seja favorável à discussão em curso no governo sobre a reforma do mercado de gás, com perspectiva de redução do custo do energético para a indústria a partir de uma maior abertura do segmento para investidores privados, a Golar Power vem desenvolvendo, em paralelo, um plano para ampliar sua atuação no país mesmo com o arcabouço regulatório atual.

A companhia já tem investimentos na Centrais Elétricas de Sergipe (Celse), dona de um projeto termelétrico a gás acoplado a um terminal de regaseificação em construção em Barra dos Coqueiros (SE). A usina, que terá capacidade instalada de 1,5 mil megawatts (MW), está com cerca de 90 % das obras concluídas e está prevista para entrar em operação comercial em janeiro de 2020.

A Golar Power tem participação de 50% na Celse, em parceria com a EBrasil. Com financiamento de R$ 5 bilhões com bancos e organismos multilaterais (sendo 90% para térmica e 10% para o terminal), a usina é o primeiro grande empreendimento de geração do país a não contar com recursos do BNDES.

Nos planos da companhia estão outros dois projetos de terminal de regaseificação no Brasil, um em São Francisco do Sul (SC) e outro em Barcarena (PA). Ambos tiveram a licença ambiental prévia emitida em março deste ano. O investimento médio em um terminal do porte dos que a empresa pretende construir é de US$ 400 milhões. Considerando essa média, juntos os terminais demandariam investimentos da ordem de US$ 800 milhões.

Em Sergipe, o terminal de regaseificação – que será o primeiro de uma empresa privada no país – terá capacidade de processamento de 21 milhões de metros cúbicos diários de gás natural (sendo 15 milhões de m3 ao dia de forma contínua e 21 milhões de m3 ao dia no pico). A termelétrica vai consumir pouco menos de um terço da capacidade total do terminal, abrindo possibilidade de regaseificação de GNL para fornecimento ao mercado.

Segundo Antonello, no entanto, a construção dos novos terminais não depende necessariamente da implantação de uma termelétrica associada. “Temos trabalhado para viabilizar os terminais independentemente da demanda térmica estar garantida”.

A estratégia da empresa é viabilizar a entrada do gás natural em mercados que utilizam o diesel. Competindo com um combustível mais caro e poluente, a companhia espera viabilizar mais facilmente a penetração do gás. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o consumo de diesel no Brasil em 2018 somou 50,167 bilhões de litros. Desse total, a dependência externa foi de 21,3%.

“Estamos trabalhando na logística de distribuição, primeiramente para a região Nordeste, a partir de Sergipe, mas também estamos focados hoje em estabelecer um terminal no Pará. Já temos uma licença prévia em Barcarena em que esperamos iniciar as obras ainda este ano. É um terminal que consideramos o mais estratégico para o país, que é justamente para viabilizar o suprimento da região Norte do país com gás, em substituição a combustíveis líquidos que existem lá”, acrescentou Antonello.

Considerando que 95% dos municípios do país não possuem gasodutos, a companhia acredita na possibilidade de crescimento do mercado de gás por meio de GNL, a partir de instalação de plantas de liquefação e regaseificação, viabilizando a capilaridade do energético no país. Segundo a empresa, com GNL, é possível levar o gás para praticamente qualquer lugar do país em menos de um ano, enquanto que por gasodutos existem casos de quase dez anos para implementação da infraestrutura, além da necessidade de um grande consumidor para ancorar a demanda.

 

Fonte: Valor Econômico

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