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Irã derruba drone, petróleo sobe, mas Trump minimiza

O presidente Donald Trump sugeriu que a derrubada de um drone militar dos EUA ontem pelo Irã pode não ter sido intencional, mas desencadeada por alguém “descuidado e burro”, o que deu um alívio, ao menos momentâneo, ao risco de um confronto militar no Golfo Pérsico. O preço do petróleo, porém, teve forte alta ontem.

A derrubada do drone é mais um de uma série de incidentes que elevam o risco de um conflito militar mais amplo no Oriente Médio.

“Acho difícil acreditar que foi intencional”, disse Trump à imprensa na Casa Branca. Seus comentários acrescentaram uma nota de incerteza sobre a reação do governo americano ao episódio.

Trump tuitou horas antes ontem que o Irã tinha cometido “um erro muito grande” e levantou a possibilidade de que os EUA poderiam reagir. Mas os comentários posteriores indicaram que ele recuou dessa posição, embora tenha acrescentado que ainda não dispunha de todos os fatos. “Essa é uma nova pedra no sapato”, disse nos comentários posteriores. “Este país não vai tolerar isso.”

Menos de uma semana após os EUA terem acusado o Irã de atacar petroleiros, a Guarda Revolucionária iraniana disse que sua força aérea abateu um drone de vigilância americano numa região litorânea do sul do país, junto ao estreito de Ormuz.

A Guarda disse que o drone violou o espaço aéreo iraniano e que caiu nas águas iranianas.

Militares americanos confirmaram que um míssil terra-ar iraniano derrubou um drone não tripulado, mas negaram que a aeronave estivesse no espaço aéreo do país.

“As informações iranianas de que essa aeronave foi derrubada sobre o Irã são categoricamente falsas”, afirmou o general Joseph Guastella, comandante militar americano de alto escalão no Oriente Médio. Ele disse que o drone voava a grande altitude a cerca de 34 quilômetros da faixa de terra mais próxima da costa iraniana.

O drone de vigilância voava numa área próxima de onde ocorreu o ataque aos petroleiros, disse Guastella. “Esse ataque é uma tentativa de desestabilizar nossa capacidade de monitorar a região depois das recentes ameaças ao transporte marítimo internacional e ao livre fluxo comercial.”

O fato de o drone ter sido abatido em espaço aéreo internacional ou iraniano terá importância para a opinião pública mundial.

Um avião oficial de um país não pode sobrevoar o território de outro país sem autorização e não deve pôr em risco aviões civis, segundo a Organização da Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês), da ONU. A fronteira internacional para aeronaves acompanha a fronteira marítima de 12 milhas náuticas, de acordo com a ICAO.

Em nota divulgada pelo Tweeter, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse que os EUA mentiram sobre a localização da aeronave e que justificariam sua posição junto à ONU. “Não queremos uma guerra, mas defenderemos com zelo nosso céu, terra & águas”, escreveu Zarif. Posteriormente ele tuitou que o Irã tinha localizado parte dos escombros do drone americano em águas territoriais iranianas.

O drone era um RQ-4A Globall Hawk, capaz de realizar missões de espionagem, vigilância e reconhecimento em tempo real sobre amplas regiões, disse o capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central da Marinha americana.

Fabricado pela empresa americana Northrop Grumman, o RQ -4A Global Hawk tem capacidade de voar por 30 horas e envergadura de 130 pés (39,62 m) – ou seja, é ligeiramente mais largo que um jato Boeing 737. Seu preço é de US$ 130 milhões, sem contar custos de pesquisa e desenvolvimento.

Em reação inicial ao incidente, Trump tuitou que “o Irã cometeu um grande erro” e disse que “vocês vão descobrir” de que maneira ele pretende reagir. O presidente, porém, não descartou a possibilidade de negociações futuras com os líderes do Irã, acrescentando: “Vamos ver o que vai acontecer”.

A derrubada do drone é a mais reente escaramuça em um número crescente de confrontos entre o Irã e os EUA e seus aliados.

Os EUA vem expandindo rapidamente a sua presença militar na região em reação ao que definem como comportamento hostil da parte do Irã. O regime iraniano está sob sanções americanas desde que Trump retirou os EUA de um acordo

internacional que previa a normalização das relações com o Irã em troca de restrições ao programa nuclear do país.

O comportamento do Irã é “totalmente calibrado”, disse Ariane Tabatai, especialista em Irã e cientista política associada da Rand Corporation. “Os iranianos estão acirrado [a situação] intencional e meticulosamente”, disse ela, na esperança de fazer com que os EUA reduzam a pressão ou de fortalecer seu próprio poder de barganha nas negociações futuras.

Os preços do petróleo tiveram alta acentuada após a divulgação da notícia do ataque ao drone.

O petróleo tipo WTI (referência nos EUA) subiu 5,4% ontem, para US$ 56,65 o barril, na Bolsa de Mercadores de Nova York, na maior alta diária desde dezembro. O petróleo tipo Brent (referência mundial), subiu 4,3%, para US$ 64,45, na ICE, em Londres.

Com a alta, as ações de empresas do setor de petróleo também subiram, o que ajudou o índice S&P 500 da Bolsa de Nova York a fechar em recorde ontem. As ações do setor subiram 2,2%. “O mercado vinha subestimando amplamente as tensões no Oriente Médio, disse Warren Patterson, estrategista de commodities do banco ING.

 

Fonte: Valor Online

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