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Cresce risco de inadimplência no ‘shale gas’ dos EUA

Os riscos de falência no setor de exploração de xisto dos Estados Unidos aumentaram, pois os preços baixos do petróleo e a contração do acesso ao crédito pioraram as perspectivas para alguns produtores, justamente quando um montante “impressionante” de US$ 86 bilhões em dívidas começam a vencer.

As dívidas de grau especulativo, ou subinvestimento, são mais de 60% do total a ser pago a partir de agora e até 2024, o que “implica um maior grau de risco de inadimplência para o setor”, avaliou a agência de classificação de risco Moody’s, em um relatório divulgado ontem.

Os vencimentos das dívidas de grau especulativo atingirão seu pico em 2022, quando vão superar os vencimentos de dívidas com grau de investimento em uma proporção de quase dois para um, segundo a Moody’s.

Mas a redução dos preços do petróleo e do gás e o sentimento de baixa no mercado – causados pelas expectativas de um excesso de oferta de petróleo mundial no primeiro semestre de 2020 – vão prejudicar as tentativas dos produtores de levantar mais dinheiro neste ano, o que, por sua vez, ameaça privá-los de capital para investir na produção de forma a manter o fluxo de caixa intacto, disseram analistas.

As empresas que já são classificadas com grau de subinvestimento e aquelas que se concentram em gás natural estão especialmente expostas e terão de enfrentar investidores que desenvolveram “aversão ao risco” para o setor, segundo o relatório da Moody’s.

A Antero Resources, a EQT e a Chesapeake, que são focadas em gás natural e têm, juntas, dívidas de mais de US$ 5 bilhões com vencimentos daqui até 2024, estão entre as 12 empresas que, segundo a Moody’s, enfrentarão uma perspectiva de refinanciamento “particularmente desafiadora”.

 “Embora essas empresas já tenham tomado algumas medidas para lidar com os vencimentos das dívidas, é preciso fazer ainda mais”, comentou a Moody’s.

Em janeiro, a taxa média de juros paga pelos produtores de xisto por sua dívida corporativa, classificada pela Moody’s como B3, ou altamente especulativa, foi 400 a 500 pontos-base superior à média da dívida classificada como B3 em todos os setores, disse Sajjad Alam, principal autor do relatório da Moody’s.

Os preços do petróleo caíram mais de 15% desde o início de janeiro, reflexo das preocupações com o excesso de oferta mundial, que foram exacerbadas pela fraqueza da demanda chinesa desde a epidemia do coronavírus. Enquanto isso, na semana passada, os preços dos contratos futuros de gás natural dos EUA com vencimento mais próximo despencaram para seu menor nível de fevereiro em 20 anos, em meio ao clima ameno fora de época.

Mas os produtores de xisto dos EUA também são vítimas do próprio sucesso de longo prazo. A produção de gás natural nos 48 Estados do território contínuo do país quase dobrou desde 2005 e a produção de petróleo bruto saltou quase 160% desde 2008.

A produção de gás natural dos EUA, que atingiu recorde em 2019, deve aumentar mais 2% neste ano, de acordo com previsão divulgada na semana passada pela Agência de Informação sobre Energia, uma divisão do Departamento de Energia. A produção de petróleo bruto pode aumentar quase 8%, para 13,2 milhões de barris por dia, na avaliação da agência.

Isso já representa uma desaceleração com relação às taxas de crescimento anual recentes, mas a crise de crédito iminente e o aumento do custo de capital para os produtores endividados, juntamente com a baixa persistente dos preços do petróleo e do gás, podem diminuir ainda mais as expectativas de crescimento da produção, disseram analistas.

 

Fonte: Valor Econômico / Financial Times

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