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Quem roda muito, escolhe GNV

Em meio ao frenesi por carros elétricos, um outro tipo de combustível ocupa brechas cada vez maiores, cortesia de uma crise econômica que amplia a categoria de motoristas de aplicativo, para quem o custo por quilômetro ocupa espaço destacado nas planilhas financeiras. Conhecido como GNV (gás natural veicular) quando usado por automóveis, o gás natural responde por 22,1% da matriz energética brasileira de fontes não renováveis. Segundo dados da Abegás, associação que representa as distribuidoras de gás canalizado, ele já é usado por mais dois milhões de veículos que circulam pelo país.

Com 56.252 veículos a gás em circulação (dados de dezembro de 2019), a Bahia tem a quarta maior frota de GNV. Por razões óbvias, o GNV é cada vez mais atraente para motoristas de aplicativo. Apesar da queda relativamente pequena em termos de desempenho, o gasto com combustível por quilômetro rodado é bastante inferior, em comparação com a gasolina ou etanol. Em Salvador, agrega-se a isso o trânsito do tipo para-e-anda dos congestionamentos da cidade.

Mas não basta simplesmente pegar um botijão e fazer conexões de qualquer maneira para usar o GNV em seu automóvel. Para usá-lo com segurança e aquecer a recuperação dos cerca de R$ 5 mil necessários para instalar o “kit a gás”, é imprescindível seguir as recomendações do setor e fazer a conversão em oficinas credenciadas. Na Bahia, a referência é o site www.bahiagas.com.br: nele é possível encontrar a lista de oficinas credenciadas e a rede de postos em operação em todo o estado. As oficinas orientam sobre os trâmites burocráticos para fazer a alteração.

Simone Carvalho, sócia da Buri Gás Veicular, tem expectativa de crescimento da demanda em 2020. Ela explica que entre 2017 e 2018 houve um aumento vertiginoso da procura pela conversão para o GNV. “Era um momento de crise, e muitas pessoas desempregadas passaram a utilizar o carro em alguma atividade rentável, então, optavam por um combustível mais barato”, conta. “A gente não dava conta, aumentamos a capacidade diária e ainda tinha fila de espera de 15, 16 carros. Isso logo após a greve dos caminhoneiros”, lembra. O ano de 2019 foi morno, na opinião da empresária do setor. “Mas este ano a nossa espectativa é de crescimento modesto. Instalar o kit de conversão para GNV (injetado) na Buri Gás custa R$ 4.900 e o kit aspirado R$ 3.900. O valor pode variar a depender da forma de pagamento e da negociação.

Prontos para GNV

Embora o índice de conversão demonstre que muitas adaptações são feitas em carros usados, é possível comprar modelos novos já preparados para essa alteração. Fiat Siena e Toyota Etios são os dois modelos que saem de fábrica com aquilo que o setor chama de “predisposição para o GNV”, algo que inclui instrumentos extras, como um manômetro, e alterações no motor e na estrutura do veículo. Como o equipamento significa peso extra em relação a um carro que tem motor flex para etanol e gasolina, aqueles que serão movidos a gás têm suspensão e freios traseiros recalibrados e o assoalho do porta-malas é reforçado e equipado com sistemas que facilitam a fixação dos cilindros, o “tanque de combustível extra”.

A parte boa dessa história é que o Siena e o Etios não perdem a garantia de fábrica. O Siena entregue com o kit de “predisposição para GNV” tem etiqueta que acrescenta R$ 690 aos R$ 53.990 necessários para comprar um zero-quilômetro; a instalação do kit é feita em oficinas credenciadas e não está inclusa nesse preço. O Etios Sedã 1.5 é ajustado na fábrica para receber o dispositivo que será instalado na rede de oficinas da Landilorenzo, empresa homologada pela Toyota para fazer a alteração, igualmente paga à parte. Embora o preço sugerido pelo fabricante japonês seja de R$ 5.360, a oficina Buri, uma das credenciadas pela marca em Salvador, faz a instalação por R$ 4.400, ou em 10 prestações de R$ 490; o trabalho demora um dia.

O motorista de aplicativo Gabriel Bremmer afirma que “um carro popular, equipado com cilindro de 17 m³ , tem autonomia de 200 km e gera uma conta de R$ 44 em GNV. Com esse valor, o motorista de carro a etanol rodaria metade dessa distância. “Ele, que também atua na instalação do kit gás, garante que em menos de seis meses o preço da instalação é amortizado para quem roda 2.500 km por mês, índice facilmente superado por quem usa o carro para transporte de terceiros. Bremmer fala com conhecimento de causa, ele usa o equipamento no carro que roda com o app e em seu carro particular (um Suzuki Grand Vitara 4×4).

Redução de IPVA

Atualmente, debate-se na Assembleia Legislativa da Bahia propostas para que o Estado ofereça redução de IPVA para esse tipo de automóveis. O assunto, porém, progride em velocidade mais lenta que a perda de rendimento do motor a gás em relação aos similares que usam etanol ou gasolina, índice que fica entre 5% e 10%. O Rio de Janeiro, que em passado recente chegou a oferecer isenção total de IPVA para carros a gás, tem maior frota, com mais de um milhão de automóveis enquadrados nessa categoria.

De acordo com o engenheiro Marcos Maeda, diretor de engenharia de motores da Cummins para a América Latina, as possibilidades de usar esta solução energética vão muito além de automóveis. Segundo ele, fazendas com lavouras de cana de açúcar ou fábricas com potencial de emissão de metano podem produzir o GNV e com isso reduzir custos operacionais. “Como sua obtenção e processamento não precisam ser feitos nas refinarias, é um combustível menos suscetível às variações da economia, como os derivados de petróleo”.

 

Fonte: A Tarde On Line

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