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Petróleo fecha em queda com receios sobre produção russa e tensões entre EUA e China

Os preços do petróleo encerraram a quarta-feira (27) em queda consistente, com os investidores cautelosos a respeito das informações de que Moscou pretende começar a flexibilizar seus cortes na produção em julho. Além do fator de oferta, a nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e China também pesou sobre os preços das commodities.

Os contratos futuros do West Texas Intermediate para julho terminaram o dia em queda de 4,48%, negociados aos US$ 32,81 o barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). Os preços da referência global do Brent para entrega no mesmo mês caíram 3,95%, a US$ 34,74 o barril na ICE, em Londres.

Moscou quer começar a diminuir seus cortes de produção em julho, de acordo com os termos dos limites de produção firmados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados no início deste ano. A informação foi dada pela agência “Bloomberg”, citando pessoas familiarizadas com a posição do governo russo.

“A meta de julho está alinhada com o atual acordo da Opep +, que tem um corte combinado de produção recorde de 9,7 [milhões de barris por dia] entre os participantes”, disse Robbie Fraser, analista de commodities da Schneider Electric.

“No entanto, é provável que alguns membros do grupo expressem apoio a cortes posteriores a julho – principalmente se o mercado permanecer com oferta excedente em meio à fraca demanda de verão”, afirmou o analista, em nota diária.

“Os comentários da Rússia sugerem que essa extensão é improvável por enquanto, mas, no fim, até os membros mais céticos do grupo podem mudar de posição, dependendo da evolução dos preços e dos fundamentos do mercado”, disse Fraser.

Segundo ele, a reunião formal da Opep no próximo mês será fundamental para determinar a trajetória do mercado de petróleo. O cartel e seus aliados planejam se reunir no dia 10 de junho, por videoconferência.

Em outra frente de preocupação para os investidores, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, determinou oficialmente hoje que Hong Kong não é mais autônoma da China, uma medida que pode comprometer os laços econômicos entre as duas superpotências e levar a sanções contra Pequim.

O presidente Donald Trump disse anteriormente que planeja fazer um anúncio até o fim da semana sobre os esforços da China para impor novas leis de segurança que prejudicariam a autonomia de Hong Kong. E o Ministério das Relações Exteriores da China disse hoje que revidaria se os EUA se adotassem alguma ação sobre as leis de segurança.

Os legisladores em Washington também estão avançando para implementar uma legislação que exigiria que todas as empresas listadas nas bolsas de valores dos EUA se submetessem a auditorias passíveis de revisão pelo Conselho de Supervisão de Contabilidade de Empresas Públicas dos EUA – um movimento que poderia forçar a deslistagem de uma série de empresas chinesas nos EUA.

“Os investidores estão preocupados que a recuperação esperada da demanda [de energia] possa ser adiada se a tensão política EUA-China-Hong Kong aumentar e, portanto, pesar nos preços”, disse Manish Raj, diretor financeiro da Velandera Energy, ao MarketWatch.

Mais tarde, o Instituto Americano de Petróleo (API, na sigla em inglês) divulgará seus dados semanais de estoques da commodity nos Estados Unidos.

Amanhã, o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês), também reporta sua contagem semanal de barris de petróleo nos EUA. Especialistas consultados pelo “The Wall Street Journal” esperam uma queda de 1,6 milhão de barris nos estoques de petróleo e de 300 mil barris para os estoques de gasolina.

 

Fonte: Valor Online