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Everis quer trazer sua experiência na Europa para conquistar novos negócios no mercado brasileiro de gás natural

O Novo Mercado de Gás é uma janela de oportunidade que a everis quer aproveitar. Com o novo marco legal do setor, a avaliação é a de que desafios surgirão para os players do segmento, que precisarão se digitalizar frente ao ambiente mais competitivo. Segundo sócio da Everis para o setor de Utilities, Silvio Antunes, a nova configuração do mercado vai exigir mais competitividade e agilidade por parte das companhias – qualidades que podem ser alcançadas com o uso das ferramentas digitais. “A busca pela eficiência será um caminho rumo à tecnologia. É um caminho sem volta e um mindset que permanecerá para sempre”, afirmou. Para o mercado brasileiro, a Everis pretende, por exemplo, ajudar empresas de óleo & gás e energia na implementação de sistemas de gestão de consumidores. Outro possível foco de atuação é a área de análise de dados. “O objetivo é transformar os dados, de determinada empresa, em grandes quantidades de informação, capazes de gerar insights estratégicos de negócios”, explicou. “O setor de Utilities é novo para a everis no Brasil, mas temos uma experiência de 20 anos na Europa. Então, temos muito know-how, que pode ser trazido para o mercado brasileiro. É isso que queremos colocar à disposição dos clientes desse setor”, completou.

O senhor pode começar nos explicando qual tem sido o foco de atuação da empresa dentro do setor de óleo e gás?

A everis tem grande experiência nos setores de óleo & gás e energia, que chamamos internamente de Utilities. Possuímos uma larga experiência nessa área, principalmente na Espanha, onde a nossa empresa foi fundada há alguns anos. Lá, temos grandes clientes desse setor. Aqui no Brasil, até o ano passado, não tínhamos uma estratégia para o setor de Utilities. Em 2019, discutimos a abertura desse segmento no país, para ficar em linha com nossa estratégia na Europa.

Este é um setor extremamente estratégico, porque estamos olhando para o novo marco legal do gás natural que está em tramitação no Congresso Nacional. Esperamos que ele seja aprovado brevemente. Esse novo marco abrirá o mercado, gerando uma série de oportunidades e desafios para essas empresas, que precisarão se digitalizar.

O que as empresas do setor de óleo e gás estavam mirando, em termos de resultados, ao investir em digitalização no cenário pré-pandemia?

Vou usar um exemplo de um de nossos clientes na Espanha. As empresas de refino de petróleo focaram muito na melhoria de suas plantas. Nos últimos anos, houve uma corrida muito grande para melhoria de processos e em ferramentas de gestão dessas unidades de refino.

Trabalhamos fortemente em empresas do setor de refino na Europa, principalmente na Espanha, ajudando essas companhias em suas transformações. Quando olhamos para o Brasil, o desafio do mercado será modernizar as refinarias que estão atualmente à venda. Será preciso modernizar não somente a planta física, mas também as ferramentas de gestão dessas unidades.

Então, o cenário de pré-pandemia era marcado pela busca de melhoria de processo, ganho de eficiência, aumento de produtividade e redução de custo. Foi o que aconteceu até o começo do ano, quando não tínhamos a pandemia.

E nesse cenário de pós-pandemia, o que mudará na mentalidade das empresas?

Eu acho que o foco da busca continuará a mesma: eficiência. Ou seja, fazer mais com menos. Mas, desta vez, por um motivo diferente do que se tinha antes. Hoje, temos uma economia que está muito arrefecida e uma grande redução no consumo. Então, as empresas precisam focar em eficiência para reduzir custos e continuar rentáveis.

Antes da pandemia, se buscava eficiência porque era necessário modernizar plantas para ser mais competitivo. Durante a pandemia, a busca será a mesma, mas o motivo é outro. Estamos falando de um mercado que diminuiu.

Se os custos não podem se manter no mesmo patamar, é necessário ser ainda mais eficiente. Estamos falando sobre como ter processos produtivos mais eficientes. E aí não tem jeito: transformação digital, metodologia ágil, ser mais rápido e eficiente na implementação de melhorias. Esse é o nome do jogo e as empresas estão mirando nisso.

Temos um exemplo disso com um de nossos clientes, que faz manutenção de plantas industriais utilizando tecnologia de realidade virtual aumentada. Assim, é possível fazer remotamente a manutenção de determinado componente de uma refinaria. Isso dá um ganho e velocidade na intervenção, além de reduzir o tempo de paralisação. Ao mesmo tempo, representa um ganho efetivo, porque se gasta menos e a paralisação é menor em comparação com métodos normais.

O mercado mudou e está menor. Não sei quando voltará aos patamares de pré-crise. Por isso, nesse momento, as empresas precisam ser mais eficientes. E a busca pela eficiência será um caminho rumo à tecnologia. É um caminho sem volta e um mindset que permanecerá para sempre.

Como a everis pretende se posicionar no mercado brasileiro de óleo e gás?

Para o setor de gás natural, já temos um cliente aqui no Brasil, que também é um cliente nosso na Europa. Estamos olhando o setor de gás com muita atenção por causa do novo marco legal que está no Congresso, como eu já disse anteriormente. Este novo marco vai abrir o mercado e gerar uma série de possibilidades e oportunidades para nós, como empresa de consultoria.

Existem algumas empresas dentro desse ecossistema de distribuição de gás do Brasil que são clientes nossos em outros países. Ou seja, poderíamos atendê-los aqui também. Com essa quebra do monopólio, acredito que poderemos oferecer para esses clientes tudo o que fazemos na Europa.

O mercado Europeu está muitos anos à frente do mercado brasileiro em termos de competição, de abertura e de digitalização. Então, nossa ideia é aproveitar nosso know-how que temos na Europa e trazê-lo para o Brasil. Por isso, costumamos dizer que nossa estratégia aqui é “glocal”. Ou seja: usar nosso conhecimento global em casos de sucesso pelo mundo e implementá-lo no Brasil, localmente.

O setor de Utilities é novo para a everis no Brasil, mas temos uma experiência de 20 anos na Europa. Temos muito know-how, que pode ser trazido para o mercado brasileiro. É isso que queremos colocar à disposição dos clientes desse setor.

Que tipos de atividades vocês já desempenharam em clientes europeus e que poderiam ser reproduzidas no mercado brasileiro?

Vou lhe apresentar dois exemplos. O primeiro é a implantação de plataformas de CRM [sigla em inglês para Gestão de Relacionamento com o Consumidor]. Temos larga experiência em implantação de plataformas desse tipo. Somos um dos grandes parceiros da Salesforce, no Brasil e na Europa, em implementação de CRM. Estamos em vários projetos do setor de Utilities para implementação desta plataforma. Essa é uma frente onde poderemos ajudar os clientes que precisam se transformar com plataformas de relacionamento com seus clientes.

Outra área que temos muita capacidade e conhecimento é a parte de data analytics. O objetivo é transformar os dados, de determinada empresa, em grandes quantidades de informação, capazes de gerar insights estratégicos de negócios. Essa também é outra frente onde podemos ajudar bastante.

Empresas que têm milhões de clientes, como uma distribuidora de gás ou uma companhia de energia, produzem uma quantidade brutal de dados todos os dias. Esses dados precisam ser tratados para gerar os insights para os negócios. Podemos ajudar bastante nisso, porque temos muitos casos de sucesso que podem ser trazidos para o Brasil e oferecidos para nossos clientes.

Fonte: PetroNotícias

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