Os preços do petróleo estenderam os ganhos robustos da sessão anterior e terminaram a terça-feira (10) em alta. Segundo analistas, o otimismo dos investidores é justificado pelas notícias positivas relacionadas ao desenvolvimento da vacina da Pfizer e da BioNTech, que teve resultados melhores do que o esperado em estudos.
Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex), os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) para dezembro subiram 2,65%, a US$ 41,36 o barril. Já os preços do Brent, a referência global, para entrega em janeiro avançaram 2,85% e terminaram o dia aos US$ 43,61 o barril, na ICE, em Londres.
“As notícias positivas sobre a vacina provavelmente farão os investidores pensar duas vezes antes de saltarem ainda mais em posições vendidas”, escreveu o analista Michael Tran da RBC Capital Markets.
Damien Courvalin, analista do Goldman Sachs, acredita que o ressurgimento da covid-19 na Europa e nos Estados Unidos afetará a demanda de petróleo em até 3,1 milhões de barris por dia, mas não impedirá que os preços continuem se recuperando nos próximos 18 meses, conforme as vacinas forem surgindo. O Goldman acredita que os preços do Brent subirão para US$ 65, no início de 2022, depois de projetar anteriormente que atingiriam esse preço no outono de 2021.
“É importante ressaltar que este é apenas um ajuste em nossa previsão de um forte aperto dos fundamentos do petróleo até 2021, impulsionado por uma recuperação na demanda impulsionada por vacinas e testes rápidos” ele escreveu. “Esperamos que a onda de covid-19 no inverno atrase, mas não impeça o reequilíbrio do mercado de petróleo.”
Alguns analistas, no entanto, questionam quanto mais os preços do petróleo podem subir no curto prazo, já que o aumento de casos de covid-19 na Europa e nos EUA começam a pesar sobre o consumidor e a atividade empresarial.
“Embora uma vacinação bem-sucedida deva, em última instância, apoiar o retorno da demanda de petróleo aos níveis normais, uma série de obstáculos, desde a aprovação final da vacina ao aumento da produção e à logística, permanecem, mas a esperança é que um desenvolvimento
oportuno possa evitar a necessidade para mais ‘lockdowns’ no futuro”, escreveram os analistas da JBC Energy, uma empresa de consultoria com sede em Viena, em nota.
Os analistas da JBC Energy apontam que seu indicador de mobilidade rodoviária para a Europa, entretanto, caiu para o nível mais baixo desde junho, com os dados até 6 de novembro começando a refletir os estágios iniciais de novos bloqueios na França e na Alemanha.
Descontos
Analistas do Commerzbank observaram que as importações chinesas de petróleo bruto caíram em outubro para seu nível mais baixo desde abril, enquanto a Arábia Saudita concedeu mais descontos aos clientes asiáticos para embarques em dezembro, “presumivelmente por causa da demanda tímida”, disseram eles. “Com um desconto de US$ 0,50 por barril em relação ao benchmark Omã / Dubai, os clientes estão desfrutando dos maiores descontos desde junho”, afirmam.
Os dados semanais de estoques dos EUA do Instituto Americano de Petróleo (API, na sigla em inglês) serão divulgados nesta terça, mas o relatório semanal do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) só será conhecido na quinta-feira (12), já que amanhã é comemorado nos EUA o Dia dos Veteranos, um feriado federal.
A média da expectativa dos analistas consultados pelo “Wall Street Journal” é que os dados do DoE apontem uma queda de 700 mil barris nos estoques de petróleo na semana encerrada no dia 6 de novembro e os barris de gasolina permaneçam inalterados.
Fonte: Valor Online
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