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Petróleo fecha em queda, pressionado pelo avanço da pandemia

Os preços do petróleo encerraram o pregão desta quinta (19) próximos da estabilidade, com sinal negativo, pressionados pelo aumento persistente nos casos globais de covid-19, fato que pode ameaçar a recuperação da demanda pela commodity.

Preocupações com a unidade dentro da Opep também foram negativas aos preços no pregão, disseram analistas. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) para o mês de dezembro encerraram o dia em queda de 0,19%, a US$ 41,74 o barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).

Os contratos do Brent para janeiro recuaram 0,31%, a US$ 44,20 o barril na ICE, em Londres.

As referências global e americana da commodity atingiram seus preços mais altos desde setembro ao longo da semana. Analistas, no entanto, afirmam que os novos bloqueios em resposta ao aumento de casos de covid-19 têm pressionado os mercados de energia.

A cidade de Nova York anunciou ontem o fechamento de todas as escolas públicas depois que a taxa de positividade da cidade nos testes de covid-19 atingiu uma média de 7 dias de 3% – o limite definido para manter as escolas abertas. Os casos seguem aumentando em grande parte do país, incluindo áreas rurais e urbanas, sobrecarregando os sistemas hospitalares.

“Os EUA viram um aumento significativo de novas restrições em vários estados esta semana, com os novos casos de covid-19 estabelecendo recordes antes da temporada de férias tradicionais”, disse Robbie Fraser, gerente de pesquisa e análise global da Schneider Electric, em nota.

“Há poucas dúvidas de que as viagens de férias ficarão muito abaixo dos níveis normais neste ano, embora exatamente o quanto abaixo continue sendo objeto de debate”, disse ele.

Uma semana antes do Dia de Ação de Graças, os especialistas estimam uma queda de até 45% no número de viajantes de férias em comparação com o ano passado, mesmo com a expectativa de que os americanos paguem os preços mais baixos pela gasolina para a temporada desde 2016.

Enquanto isso, os analistas notaram sinais de aumento das tensões dentro da Opep +, a aliança entre o cartel e outros produtores importantes. A Bloomberg relatou que autoridades dos Emirados Árabes Unidos, falando sob condição de anonimato, questionaram os benefícios de estar na aliança.

As especulações nesta semana se concentraram em se a Opep + decidiria na reunião de 30 de novembro e 1º de dezembro se estenderia os cortes de produção existentes ou seguiria um cronograma previamente estabelecido que flexibilizaria essas restrições em janeiro.

“Agora até parece que um dos principais países da Opep, os Emirados Árabes Unidos, não está mais disposto a manter os cortes de produção em vista do aumento da produção em outros lugares”, disse Eugen Weinberg, analista de commodities do Commerzbank, em uma nota.

Com a produção também acelerando na Rússia, muito vai depender da Arábia Saudita, disse ele.

“Se a disciplina de produção puder ser restaurada dentro do grupo, isso aumentaria a [confiança] do mercado na aliança. Dito isso, também é possível que a Arábia Saudita reaja da mesma forma que reagiu em março, o que significa que outra guerra de preços é possível”, disse ele, referindo-se à batalha de um mês entre a Arábia Saudita e a Rússia que inundou o mundo com petróleo bruto enquanto a economia global se fechava em resposta à pandemia de covid-19.

Fonte: Valor Online

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