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Eneva planeja usar caminhões para fornecer gás no Norte e Nordeste

Após reestruturar sua área de comercialização em 2020, a Eneva iniciou as primeiras conversas com potenciais clientes para fornecimento de gás. Com a expectativa de desenvolvimento do mercado livre de gás natural a partir da Nova Lei do Gás, atualmente em discussão no Senado, a companhia iniciou a prospecção de clientes para fornecer gás natural e condensado no Norte e Nordeste.

A ideia é replicar o modelo de transporte do energético por meio de caminhões, utilizado no projeto Azulão-Jaguatirica, que integra a produção de gás no Amazonas a uma usina térmica em Roraima pela via rodoviária. “Estamos inseridos no interior do Maranhão e do Amazonas e queremos democratizar a chegada do gás para regiões de menor acesso, que não vão ser servidas pelo gás do pré-sal”, explica o diretor financeiro da companhia, Marcelo Habibe.

A Eneva já atua como comercializadora no ambiente de contratação livre de energia elétrica e agora pretende se tornar referência no mercado livre de gás, no qual o cliente escolhe o próprio fornecedor. De acordo com a gerente geral de comercialização de gás e energia da companhia, Camila Schoti, o maior interesse das empresas por soluções energéticas menos poluentes tem aumentado a atratividade do gás natural, que emite menos carbono do que outros combustíveis fósseis.

“Percebemos demandas de clientes conectados no gasoduto que são atendidos por gás, mas que procuram supridores diferentes dos atuais, assim como uma demanda pela substituição de óleo combustível e diesel, tanto para geração de energia elétrica quanto para os próprios processos produtivos. Isso está bastante casado com nosso desejo de contribuir para a descarbonização da matriz”, diz a executiva.

Hoje, as reservas de gás natural da companhia já são suficientes não somente para atender aos seus projetos próprios de geração termelétrica, mas também para suprir outros clientes. Ao fim de dezembro, ao todo, a Eneva tinha 35,7 bilhões de metros cúbicos em reservas provadas, prováveis e possíveis (3P) nas Bacias do Parnaíba e Amazonas, segundo relatório auditado pela GaffneyCline. Os volumes ainda devem crescer até o fim de 2021, devido ao avanço de campanhas de exploração. Além disso, a companhia arrematou sete blocos exploratórios nas bacias terrestres do Amazonas e Paraná e o campo de Juruá na bacia do Solimões no segundo ciclo da oferta permanente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em dezembro. Os contratos devem ser assinados até o fim do primeiro semestre.

Além disso, a Eneva também pretende comercializar o gás produzido por outras companhias. A empresa enxerga uma oportunidade para agregar valor logístico à produção das pequenas e médias empresas que entraram nas atividades de exploração e produção terrestre no Brasil nos últimos anos, a partir da venda de ativos da Petrobras. “À medida em que expandirmos as fontes de origem do gás e a carteira de clientes, ofereceremos um outro valor aos consumidores, que é a flexibilidade”, afirma Camila.

Apesar dos planos, a concretização dos novos negócios depende, principalmente, do avanço da regulação. Além das discussões no Congresso sobre a abertura do setor, a ANP conduz uma agenda regulatória com uma série de medidas infralegais para dar suporte à liberalização do mercado.

A Eneva não pretende fazer investimentos na área de dutos, por exemplo, mas destaca que o acesso de companhias privadas à infraestrutura existente é fundamental para a estruturação do mercado livre de gás. “É super importante que a regulamentação apoie a expansão de gasodutos, o uso eficiente da malha e o acesso isonômico aos dutos de transporte. Se há ociosidade nos gasodutos, é importante que seja colocada à disposição”, destaca a executiva.

 

Fonte: Valor Econômico

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