Depois de quase dois anos à frente da diretoria de refino e gás natural da Petrobras, Anelise Lara está de saída da estatal. A decisão, segundo ela própria, é “pessoal e refletida” e vem do desejo de buscar uma nova posição na indústria de óleo e gás que lhe permita uma dedicação “mais flexível” ao trabalho. Até então responsável pela gestão operacional de ativos importantes dentro do programa de desinvestimentos da petroleira, a executiva diz se despede do cargo confiante na venda dos ativos, mas vê com preocupação a proximidade das eleições de 2022 e como ela pode prejudicar a abertura do mercado de óleo e gás.
Anelise nega que os atrasos nos desinvestimentos dos ativos de refino e gás natural tenham pesado na decisão de sair da Petrobras — comunicada ao mercado na mesma semana em que o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, anunciou a saída da estatal elétrica, em meio à falta de perspectivas mais claras sobre a privatização da companhia. “Mas eu gostaria que estivéssemos hoje numa fase mais avançada dos processos [de desinvestimentos]”, admite.
Anelise teme que a aproximação do calendário eleitoral prejudique a agenda de reformas da economia, na qual o processo de abertura do refino e do gás está inserido. “Períodos eleitorais são períodos desgastantes”, disse. “Temo que, com as eleições, essa agenda de reforma fique mais complicada. A Nova Lei do Gás está inserida nesse contexto. É preciso ter em mente que a abertura do mercado passa também pela solução de entraves regulatórios e que a Petrobras, sozinha, não abre o mercado”, completou.
Apesar disso, a executiva destaca que os desinvestimentos da estatal seguem avançando. A Petrobras assumiu compromisso com o Cade para vender oito refinarias e sair do transporte e distribuição de gás até o fim do ano. No caso do refino, a expectativa inicial era que os primeiros contratos tivessem sido assinados com os compradores no ano passado, mas nenhum acordo foi de fato fechado até o momento.
Fonte: Valor Online
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