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Após tombo do PIB, entidades do setor elétrico acreditam em recuperação em 2021

Apesar da queda de 4,1% no PIB de 2020, e das dificuldades encontradas pelo governo federal para controlar a pandemia do novo coronavírus, representantes de associações do setor elétrico acreditam em uma retomada gradativa da atividade econômica a partir do segundo semestre deste ano, em linha com o avanço da campanha de vacinação.

Na avaliação das entidades, o crescimento deverá ocorrer, principalmente, porque a base de comparação será com 2020, considerada extremamente baixa. Desta maneira, a atividade econômica vista em anos como 2018 só deverá se repetir em 2022 ou 2023. A visão otimista dos dirigentes setoriais também considera a ocorrência de outros dois fatores: o abrandamento das restrições às atividades econômicas no País e a aceleração da campanha de vacinação de combate covid-19.

O presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Charles Lenzi, explicou que o ritmo de recuperação da economia dependerá do comportamento dessas variáveis ao longo do ano.

“A partir do momento que a gente perceber a diminuição dos casos [de covid] e folga no sistema de saúde, também passaremos a ver uma recuperação mais consistente no nível de atividade econômica. A partir daí os novos projetos, que estavam represados, começarão a acontecer”, disse.

O presidente da Associação Brasileira de Companhias e Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, tem uma avaliação semelhante a do dirigente da Abragel. Para ele, a retração no PIB é preocupante e uma notícia negativa, embora esperada. No entanto, ele acredita que na medida em que a pandemia for arrefecendo, haverá uma demanda reprimida no mercado de energia, especialmente no consumo da população, o que levará à volta do crescimento.

“Talvez esse ano não dê tempo para uma recuperação mais forte, mas a queda no consumo está acentuada, e, para mim, há sinais de que a demanda está reprimida. Na medida em que as coisas melhorem e comecem a se normalizar, inicia-se um ciclo melhor para o consumo, que será capturado com mais força em 2022”.

Apesar de adotar um ponto de vista mais positivo, o presidente da ABCE disse que vê com preocupação a dificuldade do País em lidar com a pandemia, que está em seu momento mais crítico, com o número de mortos ultrapassando a marca de 257 mil pessoas. “Esse ano ainda depende da vacinação em massa, que em alguns países está avançando, mas no Brasil ainda está bastante atrasada. Não tenho dúvida de que este ano será melhor do que 2020, mas ainda teremos que ver o que vai acontecer por aqui”.

Já o presidente da Associação Brasileira das Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (AbraPCH), Paulo Arbex, acredita que a recuperação poderá começar já no próximo trimestre e ir crescendo ao longo do ano. Na opinião dele, é possível que a campanha de imunização consiga atender a uma parcela considerável da população antes do segundo semestre, permitindo uma recuperação do consumo até o final de 2021. “Na hora que a economia voltar a funcionar, a demanda represada retorna.

Mas voltar ao normal demorará um bom tempo porque essa queda na atividade econômica desorganiza toda a cadeia produtiva”.

A retração econômica de 2020 foi sentida também pelas distribuidoras de gás natural, que viram o consumo no segmento industrial cair 8,5% no ano, enquanto no comercial a baixa foi de 25,8%, e no automotivo de 17,7%.

Para o presidente da Abegás, Augusto Salomon, é preciso acelerar o programa de vacinação, com a disponibilização de mais imunizantes. “Só assim será possível que a atividade econômica tenha uma retomada de suas atividades em níveis seguros e os investimentos possam ser planejados para o futuro com um nível maior de previsibilidade”, afirmou.

Salomon destacou também que o governo e o Congresso precisam dar um sinal para o mercado com a aprovação do novo marco regulatório para o setor de gás natural do País, o PL do Gás. Segundo ele, o destravamento do projeto poderá estimular a construção de infraestrutura de gás, para amparar o crescimento econômico desejado ao longo dos próximos anos.

De igual modo, o presidente executivo da Cogen, Newton Duarte, acredita que além das medidas para controlar a pandemia, o governo precisará avançar na aprovação de propostas estruturantes para os mercados de energia elétrica e gás natural, como forma de garantir tanto a retomada quanto o crescimento nos próximos anos. “As perspectivas das novas leis de modernização do setor elétrico e de gás natural deverão criar, dentre outras medidas, as condições de amparo ao crescimento almejado neste e nos próximos anos”.

 

Fonte: Broadcast / Ag.Estado

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