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Petróleo fecha sexta-feira em alta, mas acumula perdas na semana

Os contratos futuros do petróleo fecharam a sexta-feira (23) em alta, mas acumularam perdas na semana, já que preocupações com um aumento nos casos de covid-19 na Índia e no Japão ampliaram os temores de investidores sobre as perspectivas para a demanda por energia.

Os contratos futuros do WTI para junho fecharam o dia em alta de 1,15%, aos US$ 62,14 o barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). Os preços do Brent para o mesmo mês avançaram 1,08%, negociados a US$ 66,11 o barril, na ICE, em Londres.

No acumulado da semana, a referência americana do petróleo acumulou perdas de 1,56%, enquanto a global recuou 0,98%.

O mercado está esperando para “compreender o que pesará mais na demanda, vendo um aumento nas infecções de covid-19 na Índia e no Japão, mas um aumento na demanda nos EUA e na Europa”, disse Paola Rodriguez-Masiu, vice-presidente de mercados de petróleo da Rystad Energy, em nota. “Os números da infecção por covid-19 na Índia e no Japão preocuparam os investidores durante a semana e fizeram com que os preços caíssem no acumulado do período”.

A Índia, um dos maiores importadores de petróleo do mundo, reportou mais de 330 mil novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, estabelecendo um recorde global pelo segundo dia. No Japão, espera-se que Tóquio sofra outro bloqueio em breve.

Índia e Japão são o terceiro e o quarto maiores importadores de petróleo do mundo, respectivamente, depois da China e dos EUA.

“A explosão de casos covid-19 indianos continua sendo um dos principais riscos de curto prazo que assolam o que consideraríamos como um pano de fundo razoavelmente construtivo para o sentimento do investidor”, disse Michael Tran, analista da RBC Capital Markets, em uma nota.

O primeiro-ministro indiano Narendra Modi “priorizou a atividade econômica e exortou os estados a usarem bloqueios como último recurso, mas a contenção do consumo inevitavelmente deixa o mercado de produtos asiático inundado de oferta, o que pesa nas margens das refinarias (e talvez na demanda futura de petróleo), especialmente agora que as exportações chinesas de gasolina estão perto das máximas históricas”, escreveu Tran.

Ainda assim, “sinais de demanda mais forte do Ocidente”, disse Rodriguez-Masiu, forneceram algum suporte para os preços na sexta-feira.

Nas últimas quatro semanas, a demanda dos EUA por gasolina para motores foi em média de 8,9 milhões de barris por dia, um aumento de 61,5% em relação ao mesmo período do ano passado, e “vemos a demanda no país aumentando após uma tendência de recuperação acentuada conforme a temporada de verão começa” ela disse. Na Europa, os dados de abril do PMI da zona do euro foram “surpreendentemente positivos, um sinal de que a demanda está aumentando”.

“A atual estrutura de preços de mercado está antecipando o que vemos em nossos balanços de petróleo – um verão de maior aperto na oferta em 2021”, disse Rodriguez-Masiu.

Se a demanda se recuperar neste verão, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, juntos conhecidos como Opep +, “podem precisar aumentar a oferta muito além das atuais metas de julho de 2021”, disse ela.

Em reunião no início de abril, o grupo decidiu aumentar gradativamente a produção de maio a julho. A Opep + realizará sua próxima reunião na quarta-feira.

 

Fonte: Valor Online

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