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Maior produtor dos EUA diz que gás é solução ao uso do carvão

O chefe da maior produtora de gás natural dos Estados Unidos sustenta que o aumento das exportações americanas do combustível poderia ser a “maior iniciativa verde no planeta”, porque ajudaria a tirar o lugar do carvão nas usinas termelétricas.

A geração de eletricidade alimentada a carvão no mundo atingirá o maior patamar na história em 2021, segundo previsão da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgada na semana passada, no que considerou um “sinal preocupante” para o clima.

Toby Rice, executivo-chefe da produtora de gás natural EQT, disse que o mundo reduziria as emissões de carbono mais rapidamente se os países asiáticos pudessem comprar gás natural liquefeito (GNL) para substituir o carvão na geração de energia.

“Não podemos exportar [energia] solar, não podemos exportar eólica, não podemos exportar nuclear. Devemos desenvolver essas tecnologias. Mas, neste momento, a única coisa que podemos exportar e que terá um impacto tremendo no ambiente é o GNL dos EUA”, disse ao “Financial Times”.

Ele disse que a EQT e suas rivais sofrem pressões quanto ao preço dos combustíveis e às emissões de gases causadores do efeito estufa associadas a seus produtos.

A senadora Elizabeth Warren, do Partido Democrata americano, enviou cartas a Rice e a outros chefes de empresas de petróleo e gás dos EUA atribuindo o recente problema de aumento nos preços pagos pelo consumidor no país às exportações de GNL, um gás natural que é resfriado para poder ser transportado em navios.

No início de 2021, a AIE estimou que se o aumento médio das temperaturas mundiais ficasse limitado a apenas 1,5° C, em linha com as metas do Acordo de Paris sobre o clima, nenhum novo projeto de exploração de petróleo e gás seria necessário. “Também não são necessárias muitas das instalações de liquefação de gás natural liquefeito (GNL) atualmente em construção ou em estágio de planejamento”, destacou a AIE.

A EQT não exporta GNL, mas extrai gás natural nos campos de xisto dos Apalaches, nordeste dos EUA. O setor de gás luta pelo futuro de seu modelo de negócios no país, uma vez que o governo de Joe Biden prometeu “descarbonizar” totalmente o setor de energia até 2035 e coibir a poluição decorrente do metano, um potente gás causador do efeito estufa, que geralmente vaza da infraestrutura das empresas produtoras de gás.

O chefe da EQT disse que, por meio da captura de gases causadores do efeito estufa nas usinas elétricas, o gás natural poderia acabar sendo “carbono zero”.  Ele defendeu que o combustível deveria ser reconhecido por seu papel na redução das emissões de gases causadores do efeito estufa nos EUA nos últimos 15 anos – e promovido internacionalmente.

“Cortamos nossas emissões em quase 1 bilhão de toneladas por ano, graças à troca do carvão pelo gás, mas durante o mesmo período China e Índia aumentaram suas emissões em 6 bilhões de toneladas”, uma vez que a geração a partir de carvão continuou em alta nesses países, segundo o executivo-chefe.

O carvão emite cerca de duas vezes mais dióxido de carbono do que o gás natural durante a combustão. Ainda assim, o uso de gás natural gerará mais de 20% do total das emissões mundiais de gás carbônico neste ano, de acordo com a AIE.

Ativistas climáticos dizem que expandir ainda mais a infraestrutura de gás natural provocaria uma dependência futura em relação a um combustível fóssil que também precisa ser erradicado do sistema energético mundial para que as metas climáticas sejam cumpridas.

 

Fonte: Valor Econômico

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