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Mudanças inesperadas no mercado de gás impedem Potigás repassar benefícios a consumidores

A Potigás, que conseguiu negociar em setembro do ano passado redução de 35% no valor da molécula cobrado nos contratos de suprimento do gás natural para 2022 e 2023, ainda não pode repassar tais benefícios ao consumidor final do Rio Grande do Norte. A nova tarifa, prevista para entrar em vigor em 01/01, está em compasso de espera em função de mudanças inesperadas no mercado de gás natural nos últimos meses de 2021.

Segundo a presidente da Potigás, Larissa Dantas, duas razões impediram sua efetivação na data prevista, adiada agora para o primeiro dia de fevereiro. São elas: Indefinição em relação ao custo de transporte do gás e aumento da demanda por gás natural no estado.

Com relação ao transporte, a Potigás aguarda posição da ANP sobre esse custo para só então ter condições de calcular o valor da tarifa final. A decisão era esperada para dezembro de 2021, mas não houve conclusão e o processo permanece em andamento. Conforme informou a assessoria da ANP, a questão está nos trâmites finais.

“A transportadora TAG está buscando no mercado as melhores condições e os melhores preços para aquisição de gás para balanceamento, o que afeta o cálculo da tarifa. A expectativa é que o processo esteja concluído e publicado nas próximas semanas”, respondeu a ANP ao questionamento sobre o prazo.

Sem uma definição, não há como fixar qualquer valor para o consumidor final, uma vez que o custo de transporte responde por 9,12% na composição do preço do gás. Seja como for, garante a executiva, o abastecimento no estado permanece garantido.

Outro motivo para o adiamento da entrada em vigor da nova tarifa foi o aumento da demanda por gás natural no fim do ano passado, de cerca de 40%. A alta, imprevista, gerou necessidade de contratação de suprimento de gás em volumes superiores ao fixado em setembro passado com a Potiguar E&P, subsidiária da PetroRenconcavo, grupo baiano vencedor da chamada pública realizada pela Potigás em 2021.

Na ocasião, as partes fecharam contrato de fornecimento de 236 mil m³/dia para os anos de 2022 e 2023, com redução de 35% no preço da molécula em relação ao valor pago à Petrobras, com quem a Potiguar tinha contrato até o último dia 31/12.

Foi a mais expressiva queda de custo obtida por uma concessionária em 2021, refletindo, no entanto, cenário que ficou no passado. Hoje, distribuidoras de gás natural e Petrobras vivem uma queda de braço jurídica provocada pelo reajuste de 50% no preço do combustível proposto pela estatal e rejeitado pelas empresas.

O êxito nas negociações levou a indústria do Rio Grande do Norte a aumentar sua previsão de consumo de gás para este ano e o próximo, principalmente a do segmento de cerâmica, em função dos estímulos dados pelo estado para atrair o setor e criar um polo ceramista na região.

A PetroReconcavo, entretanto, não conseguirá ampliar a oferta da molécula para o mercado do Rio Grande do Norte, uma vez que fechou contrato de suprimento de gás natural com a Bahiagás e PBGás. Na ocasião do contrato com a Potigás, foi definido que a empresa terá acesso à estrutura da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), em Guamaré, a partir do contrato de acesso assinado com a Petrobras, proprietária da UPGN.

“Estamos buscando novo fornecedor no mercado e nos reunindo com todos as empresas para encontrarmos a melhor solução. Tudo está acontecendo de forma muito rápida. Será um contrato de emergência”, disse Larissa. O aumento da demanda, segundo ela, poderá chegar a 400 mil m³/dia no fim do ano, mas como se trata de volume relativamente baixo quando comparado à demanda dos demais estados brasileiros, a solução, a seu ver, será rápida. “Tivemos reuniões com a ANP e com a TAG (Transportadora Associada de Gás) em meados de dezembro para chegarmos ao custo exato da tarifa para o consumidor. Estamos pagando o preço do pioneirismo”, concluiu.

A Potiguar E&P, que começou a fornecer gás natural à Potigás desde o primeiro dia de janeiro de 2022, tem sede no Rio Grande do Norte e será responsável pela execução de toda a cadeia do gás no próprio estado – produção, extração, processamento e distribuição. “Isso barateia o custo da produção e consequentemente beneficia o produtor, porque repassamos tudo para o consumidor final”, disse Larissa.

A TAG atua com transporte de gás natural por meio de gasodutos e tem capacidade firme contratada de movimentação de 74,67 milhões metros cúbicos/dia. A Potigás lançou em 2021 mais de 18 mil metros de gasodutos, resultado 6% superior ao de 2020. A expansão também possibilitou a interligação de 4,5 mil novos clientes, maior número dos últimos oito anos.

A tarifa atual, a mesma desde novembro do ano passado, permanece vigente até 31/01/2022, quando os dois entraves para definição do preço final deverão estar resolvidos. Mas seja qual for o desfecho, dificilmente os preços a partir de 1º de fevereiro cairão nos patamares previstos em setembro do ano passado, quando foi fechado contrato de compra e venda com a Potiguar E&P. Ainda assim, será vantajoso. “Não sabemos se a redução para consumidor chegará a 35%, mas ficará menor do que em 2021”, disse Larissa Dantas. Diante do atual cenário, sem dúvida, um êxito e tanto.

 

Fonte: EnergiaHoje

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