Os preços do gás natural dispararam nesta quarta-feira (23) na Europa depois do presidente da Rússia, Vladimir Putin dizer que os “países hostis” terão que pagar pelo gás russo em rublos. EUA, Reino Unido e os integrantes da União Europeia (UE) fazem parte da lista de “países hostis” de Moscou. O Brasil não está na relação.
O gás TTF negociado na Holanda e referência para o mercado europeu para abril disparava 18% a 116,60 euros por megawatt-hora. Na Ice Futures, o contrato de abril subia 19,43%, a 2,79 libras por 100 mil unidades térmicas britânicas.
O comentário de Putin vem se somar aos temores de que novas sanções aplicadas à Rússia reduza ainda mais o fluxo de gás que abastece a Europa.
Segundo o economista-chefe da Julius Baer, Norbert Rücker, a tendência é, contudo, que os preços do gás recuem mais no curto prazo depois de atingir a máxima de250 euros por megawatt-hora no início de março. Nas últimas semanas, as cotações vinham caindo diante de uma redução no déficit dos estoques de gás. Importações marítimas de gás, o clima mais ameno com o fim de inverno e forte geração de eletricidade por meio de fontes renováveis estão deixando o mercado mais confortável. Porém, ainda estão sujeitos à volatilidade como a de hoje.
“O fim do inverno veio com um clima mais ameno, as importações marítimas de gás compensaram a queda de fluxo da Rússia, e uma forte geração de eletricidade renovável reduziu o consumo de gás natural nas usinas geradoras de energia”, afirmou o economista em nota.
Rücker diz que, se essas tendências persistirem, o deficit de estoques de gás deve acabar no início do outono europeu, em setembro. Com os problemas de estoques solucionados para o curto prazo e consequente maior queda nos preços, Rücker acredita que os riscos de uma intervenção política no mercado também diminui. “Gás natural e eletricidade estão intimamente interligados. E os preços do gás natural determinam em grande parte os preços da eletricidade no atacado, à medida que as usinas de energia a gás são fornecedores marginais com custos operacionais mais elevados.
Entretanto, o economista aponta alguns focos de atenção. Ele alerta, contudo, que a Noruega tem abastecido a Europa com um volume de gás próximo de seu limite de capacidade por mais de um ano e provavelmente vai ter que precisar reduzir o fluxo temporariamente para realizar manutenção. E que o apetite asiático por gás natural– que caiu com os altos preços – deve voltar em algum momento, o que vai reduzir o excedente que está sendo embarcado para a Europa agora.
“E existe o elefante na sala, o desejo de reduzir a dependência europeia do gás da Rússia até o fim do ano, que irá exigir a implementação de várias medidas durante todo o verão”, disse.
Fonte: Valor Online
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