Os países da União Europeia (UE) chegaram a um acordo para reduzir o consumo de gás no bloco nos próximos oito meses, em um esforço para proteger suas economias de um possível corte no fornecimento por parte da Rússia. O acordo exige que os países reduzam voluntariamente seu consumo de gás em 15% a partir do próximo mês. Este é o mesmo nível de corte proposto pela Comissão Europeia na semana passada. O texto indica que a meta pode se tornar obrigatória em caso de emergência. A proposta aprovada contém exceções para países com conexões limitadas a outras redes de gás europeias e aqueles cujas redes elétricas não estão ligadas ao sistema europeu. O acordo acontece um dia depois que as exportações de gás através do gasoduto Nord Stream para a Alemanha pela empresa russa Gazprom caíram para 20% da capacidade total. Em resposta, os preços da energia na Europa subiram nesta terça-feira (26), com o gás natural disparando 21,5% e o carvão alcançado novo recorde de alta, aprofundando uma crise que ameaça mergulhar as maiores economias do continente em recessão.
A nova redução significa que a Europa enfrenta um desafio ainda maior na corrida para preencher seus estoques de gás antes do início do inverno no hemisfério norte, quando o consumo aumenta à medida que as temperaturas mais frias forçam o maior uso do produto para calefação. Para garantir a aprovação de todos os membros, foram incluídas cláusulas para atender alguns países que estavam relutante em sacrificar suas economias para apoiar a Alemanha, a maior da região e mais dependente do gás russo. O texto original proposto pela Comissão Europeia, braço executivo da UE, teria comprometido todos os países a reduzir sua demanda de gás a um mínimo padrão. Mas alguns países do sul e leste da Europa se opuseram ao sacrifício que seria exigido de suas populações. Assim, a UE concordou com a série de isenções para apaziguá-los. Um grupo que inclui Grécia, Espanha, Itália e Portugal garantiu uma isenção permitindo que suas usinas sejam protegidas de metas de redução durante uma emergência, de acordo com o Ministério da Energia grego. A Rússia indicou que pode haver interrupções contínuas no fornecimento. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscou espera que os problemas de turbinas – motivo usado pela Rússia pela redução dos envios de gás – sejam resolvidos. Mas ele acrescentou: “A situação é criticamente complicada pelas restrições e sanções que foram introduzidas contra nosso país”.
Fonte: Valor Econômico
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