Após comprar o Complexo Jorge Lacerda (857 MW) no município de Capivari de Baixo (SC), da Engie Brasil Energia, por R$ 325 milhões no ano passado, a Diamante Geração de Energia anunciou a criação de uma joint venture com a Nebras Power, empresa internacional de investimentos em energia e subsidiária da Qatar Electricity & Water Company (QWEC), para investimentos que podem chegar a R$ 5 bilhões em dois projetos termelétricos a gás natural em Santa Catarina.
A primeira iniciativa prevê a construção da Usina Termelétrica Norte Catarinense, projeto comprado da Engie, com potência de 600 MW e investimentos de até R$ 3 bilhões. Ele deve construído em Garuva (SC). A segunda diz respeito a uma unidade geradora de 440 MW, que vai ser instalada dentro da usina termelétrica de Jorge Lacerda, com aporte de até R$ 2 bilhões.
Em entrevista exclusiva ao Valor, o CEO da empresa, Pedro Litsek, conta que na parceria cada sócio detém 50% dos projetos e vão explorar em conjunto os investimentos nas termelétricas a gás. Segundo ele, o equity destes projetos será dividido igualmente entre as empresas, sendo 30% do investimento total feito com capital próprio.
“O primeiro [projeto] está mais preparado para participar de leilões, que é a Termelétrica Norte Catarinense. Já temos licença, terreno e tudo o que é necessário. O segundo projeto está em fase final de licenciamento ambiental dentro do Complexo Jorge Lacerda e esperamos ter essa licença até o fim do ano”, conta Litsek.
O investimento está condicionado à garantia de novas receitas, que virá caso a empresa vença os leilões de capacidade previstos para 2023. Em caso de vitória, a previsão é que as termelétricas comecem a ser construídas em 2024 e que os projetos entrem em operação em 2028.
O segundo empreendimento, dentro do complexo de Jorge Lacerda, que tem sete unidades geradoras a carvão, prevê aproveitar o terreno e a infraestrutura já existentes no local para instalar uma turbina a gás. Como exemplo, o executivo destaca as linhas de transmissão e água já disponíveis.
O executivo considera que o projeto tem um viés social importante. O Projeto de Lei 712/19, que prorrogou por 15 anos, a partir 2025, a contratação de termelétricas movidas a carvão mineral, beneficiou o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, por meio de contrato de energia.
A antiga dona, a Engie Brasil Energia, considerava desativar o complexo, caso não encontrasse um comprador, mas a indústria carbonífera encontrou uma saída para viabilizar as operações. A lei também prevê a realocação da mão de obra de cerca de 20 mil trabalhadores envolvidos na cadeia do carvão para outras atividades.
“Os dois projetos permitirão mobilizar a mão de obra que já temos para serem aproveitadas nestes novos empreendimentos”, diz.
O desafio para a Diamante ser competitiva no leilão e, futuramente, na manutenção das térmicas são as garantias de fornecimento de gás. O projeto de Garuva é mais estratégico e pode inclusive dar início à operação do terminal de GNL que está sendo construído no Porto de São Francisco do Sul.
“Estamos próximos do ponto de conexão do terminal da New Fortress Energy no gasoduto Bolívia-Brasil e temos uma possibilidade grande que o gás para a Termelétrica Norte Catarinense venha deste terminal”.
Fonte: Valor Econômico
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