O aumento das exportações de gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos pode ser ruim para o país, segundo um estudo do Departamento de Energia americano. O documento revela que o crescimento acelerado da indústria pode elevar os preços do combustível doméstico, aumentar as emissões de gases de efeito estufa e beneficiar a China. “A principal conclusão é que uma abordagem de negócios como de costume não é sustentável nem recomendável”, disse a secretária de Energia, Jennifer Granholm, no documento. “Aumentar as exportações de forma irrestrita certamente geraria mais riqueza para a indústria de GNL. Mas consumidores e comunidades americanas, assim como nosso clima, pagariam o preço”.
A indústria de GNL dos EUA cresceu exponencialmente desde sua criação, há menos de uma década, impulsionada, nos últimos anos, pela demanda europeia por gás americano após a invasão russa da Ucrânia. No ano passado, o país ultrapassou a Austrália e se tornou o maior exportador de GNL do mundo, enviando 11,9 bilhões de pés cúbicos por dia. A indústria planeja dobrar as exportações até o fim da década. Segundo o relatório, o aumento nas exportações poderia elevar os preços domésticos do gás natural no atacado em mais de 30% até 2050, aumentando as contas anuais de energia doméstica em mais de US$ 122. Os resultados podem abrir caminho para contestações legais que dificultariam o crescimento das exportações de GNL, mesmo enquanto o presidente eleito, Donald Trump, assume o cargo prometendo exportar gás dos EUA em busca da “dominância energética americana”. O estudo ainda constatou que exportações adicionais de GNL dos EUA substituiriam mais fontes renováveis do que carvão globalmente, e que as emissões diretas da indústria atingiriam 1,5 gigatoneladas anuais até 2050 — cerca de um quarto das emissões totais atuais dos EUA.
Fonte: Valor Online
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