A ampliação da rede de gasodutos, a construção de novos navios e o fortalecimento da infraestrutura de transporte de gás natural foram temas centrais da plenária “Mais midstream: gasodutos e navios”, realizada nesta quinta (29), durante o Bahia Oil & Gas Energy 2025, no Centro de Convenções de Salvador. O debate, que reuniu representantes da Transpetro, Transportadora Associada de Gás (TAG), Eneva e Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGas), expôs não apenas os desafios do setor, mas também os investimentos que estão reposicionando o Norte e Nordeste como polos logísticos estratégicos para o escoamento do gás no Brasil. A TAG planeja investir R$ 5,3 bilhões, até 2028, no Brasil. E a Bahia está no centro desse movimento. O estado concentra cerca de 1.200 Km da malha da empresa, que totaliza 4.500 Km. Só na Bahia, são 5 pontos de recebimento de gás natural, 23 de entrega e 11 estações de compressão (instalações industriais que aumentam a pressão e a vazão do gás natural em uma rede de gasodutos). Diariamente, a TAG movimenta aproximadamente 5,7 milhões de metros cúbicos de gás no estado, sendo 3,7 milhões repassados para a rede da Bahiagás. “O coração da nossa malha está em Catu (município que fica a 100 Km de Salvador). A Bahia é hoje o estado mais relevante para a TAG”, destacou Henrique Amorim, gerente comercial da companhia. Ele explicou que cerca de 70% dos recursos projetados para investimentos da TAG no país estão voltados à segurança e integridade da rede, mas há também projetos de expansão. Entre eles, destacou o de gás natural, o novo ponto de entrega em Itagibá, parte do gasoduto Gás Sudoeste da Bahiagás, e que já foi entregue, e a construção da estação de compressão em Itajuípe, que abrirá capacidade adicional de 3 milhões de m³/dia, com investimento de R$900 milhões.
Já a Transpetro – subsidiária da Petrobras e maior empresa de logística de óleo, gás e biocombustíveis da América Latina – aposta em uma frota mais moderna e eficiente. São R$ 5 bilhões em investimentos previstos para os próximos anos, com destaque para a construção de navios no Brasil. A meta é ampliar a participação da frota própria no atendimento ao Sistema Petrobras, principalmente na cabotagem. Estão no radar quatro navios Handys, quatro MR1, oito gaseiros e nove embarcações de alívio de plataformas. Segundo Cássio Ferreira Gomes, gerente geral da Transpetro para a Bahia e Espírito Santo, a empresa movimentou 651 milhões de metros cúbicos de produtos em 2024. Agora, aposta também na conexão entre modais. “Estamos olhando para o Centro-Oeste, para o Arco Norte, integrando dutos e terminais a ferrovias, rodovias e vias fluviais”, disse. Cássio aponta três entraves que precisam ser superados para o avanço do setor: reativar a indústria naval brasileira, que esteve quase paralisada por dez anos, resolver gargalos no fornecimento de materiais e capacitar mão de obra. “Se não resolvermos essas questões, os investimentos não saem no tempo nem com a qualidade que o mercado exige”, disse. Além de Henrique Amorim e Cassio Gomes, o debate contou ainda com as presenças de Lucas Netto, coordenador de Regulação da Eneva, e de Luís Eduardo Duque Dutra, engenheiro químico e consultor da Bahigás.
Fonte: BrasilEnergia
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