O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez um pronunciamento contundente nesta terça (10) durante o seminário “Gás para Empregar”, em São Paulo, ao classificar os preços do gás natural no Brasil como “absurdos” e alertar para os impactos negativos sobre a indústria nacional, especialmente a intensiva em energia, como a siderurgia, a petroquímica e o setor de vidro e cerâmica. “Os preços do gás são absurdos e prejudicam nossa indústria intensiva”, afirmou. A fala ocorre em meio a pressões crescentes da indústria brasileira por uma reforma na estrutura de preços do gás natural, atualmente apontada como um dos principais gargalos para a retomada do crescimento industrial. Segundo ele, o gás natural deve ser visto como o combustível estratégico dessa transição, e não como um entrave ao desenvolvimento. Silveira apontou que o Brasil reinjeta o dobro da meta global de gás natural nos poços, desperdiçando uma oportunidade de ampliar a oferta e reduzir o custo do insumo.
“Não há justificativa para isso. É importante que a tenha consciência da importância de ampliar a oferta de gás”, declarou. Durante o evento, o ministro disse que a petroleira norueguesa Equinor vai investir em um projeto que adicionará 18 milhões de metros cúbicos por dia de gás ao sistema nacional. Além disso, mencionou uma proposta para incrementar a exportação de gás natural da Argentina, proveniente da formação geológica de Vaca Muerta, como estratégia para diversificar a oferta e pressionar a redução de preços. Silveira também destacou que a concluiu as obras da Rota 3, uma importante infraestrutura que viabiliza o escoamento do gás do pré-sal para a costa brasileira. Apesar disso, o gás está chegando ao litoral ao custo de US$ 11 por milhão de BTU, um valor considerado ainda alto em comparação com mercados internacionais.
O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, também fez críticas ao alto custo do gás natural no Brasil e alertou que diversos setores da indústria nacional estão perdendo competitividade no cenário global. Segundo Josué, setores intensivos no uso de gás, como vidro, cerâmica e petroquímica, entre outros, enfrentam sérias dificuldades para competir com outros países devido aos preços praticados no mercado brasileiro. “O setor de vidro padece com o custo alto. Da mesma maneira, a indústria petroquímica. Pagamos entre US$ 14 e US$ 16 por milhão de BTU, enquanto em alguns países esse valor gira em torno de US$ 3 a US$ 4”, comparou. O dirigente afirmou que, apesar da riqueza em recursos naturais, o Brasil ainda não consegue garantir acesso competitivo ao gás para a indústria. “É um país tão rico, mas o gás chega de maneira elevada para a indústria”, disse. Ele também citou que o setor ceramista, altamente dependente do insumo, opera com cerca de 30% de ociosidade, e poderia estar produzindo mais e gerando mais empregos, caso tivesse acesso a gás a preços mais viáveis. Josué destacou que o país consome cerca de 15 milhões de metros cúbicos de gás por dia, mas esse número poderia ser significativamente maior se houvesse uma política de preços mais acessível e previsível. “O consumo industrial está aquém do potencial justamente por causa do preço elevado”, afirmou.
Fonte: Valor Online
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