Em sua coluna na Folha, o jornalista Eduardo Sodré afirma que as vendas de veículos pesados e maquinário agrícola movidos a gás natural têm movimentado os negócios que envolvem o biometano. A MAT Equipamentos para Gases, por exemplo, precisou diversificar sua atuação devido à expansão do setor. A empresa, que produzia somente os cilindros para o gás à alta pressão, precisou desenvolver carretas para o transporte e módulos de armazenamento específicos para seus produtos. A demanda por esses itens cresceu junto com a produção do gás de origem renovável, que pode ser gerado em aterros sanitários ou mesmo em propriedades rurais, por meio de biodigestores. Além da demanda por armazenamento do biometano, a MAT enxerga oportunidades devido aos problemas de infraestrutura do setor. Segundo dados recentes compilados pelo IBP, o Brasil tem 58.436 km de gasodutos, o que representa uma cobertura de 7% do território, aproximadamente. Nos Estados Unidos, segundo a MAT, a malha tem quase 500 mil km, equivalente a um alcance de 50% do território. “A malha brasileira não faz jus à sua produção de gás natural e ao potencial de produção do biometano. Hoje, o Brasil deve produzir em torno de 400 a 500 mil metros cúbicos por dia de biometano”, afirma Luis Fernando Assaf, presidente da MAT. O biometano é a versão purificada do biogás, após a remoção de dióxido de carbono e hidrogênio. Sua composição tem a mesma molécula do gás natural de origem fóssil, podendo abastecer veículos preparados para rodar com esse composto.
Entre as fabricantes de caminhões, a Scania é a empresa que mais investe nesta alternativa ao diesel. A montadora de origem sueca viu as vendas de seus modelos que podem rodar com biometano crescerem cerca de 250% na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2024 e igual período deste ano. Foram vendidas 267 unidades de janeiro a abril. O principal impulso foi a oferta de crédito com taxas reduzidas para modelos a gás natural. O Scania Banco oferece condições melhores para estimular a comercialização das opções que não usam diesel. A montadora comercializa os caminhões que podem rodar com biometano desde 2019. Cerca de 1.500 unidades foram comercializadas desde então. A Volkswagen Ônibus e Caminhões também testa seu modelo movido a gás natural, o Constellation 26.280, cujo lançamento comercial deve ocorrer ainda em 2025. De acordo com a fabricante, a potência e o torque são equivalentes aos registrados na versão a diesel de mesmo porte.
Fonte: Folha de S.Paulo / coluna Eduardo Sodré
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