Segundo o diretor de gás canalizado da Arsesp, Amauri Gavião, o novo arcabouço regulatório foi fundamental para o avanço do mercado livre paulista. Para o executivo, instrumentos como o novo modelo do Contrato de Uso do Sistema de Distribuição (Cusd) – deliberação aprovada em janeiro deste ano que fixa as condições para o uso da infraestrutura de distribuição por usuários livres – foi uma das iniciativas elaboradas pela reguladora estadual que, com contribuições de agentes por meio de consulta pública, permitiu a migração de uma parcela significativa dos consumidores industriais para o mercado livre. “São 48 comercializadoras autorizadas a atuar no Estado de São Paulo e 85 contratos de uso de distribuição do sistema de distribuição, com 50% do volume dos usuários industriais migrados, o que equivale a cerca de 5,5 milhões de metros por dia”, detalhou o diretor da Arsesp. “A gente espera que esse movimento se mostre consistente”, reforçou.
Já o diretor comercial da Edge, Guilherme Mattos, destaca que o ambiente regulatório favorável em alguns estados vem sendo um fator positivo para o desenvolvimento do mercado livre de gás natural. A grande virada para o avanço do mercado livre no Brasil, disse Mattos, aconteceu entre os anos de 2024 e 2025. “A Edge foi criada pelo grupo Cosan em janeiro de 2024 com o objetivo de trazer segurança, flexibilidade e competitividade e logo no primeiro semestre migrou as seis primeiras indústrias [a ingressarem no mercado livre]. Ficamos orgulhosos de dar o primeiro passo no Estado de São Paulo, maior polo industrial do País”. Depois da migração dos setores industriais com consumo de energia mais intensivo nessa primeira onda, Mattos acredita que a tendência é que a migração de consumidores para o ambiente livre deva continuar bastante acelerado e que, em breve, o percentual possa alcançar e superar 60% de volume industrial migrado em São Paulo. Ele prevê que é questão de tempo para que a quase totalidade dos grandes e médios volumes industriais passe a comprar gás natural no mercado livre. “O mais importante é que os consumidores busquem empresas sérias”, recomendou.
O diretor de Operações Comerciais da MGás, Henrique Baeta, também disse compartilhar dessa visão otimista, mas disse que ainda há ajustes regulatórios a serem feitos para mitigar possíveis riscos. Ele exemplificou como preocupações eventuais interrupções de contrato e possíveis falhas na comunicação entre as partes e casos de desconformidade de gás. “A gente tem que começar a trabalhar para ter mais clareza e referência”, sugeriu Baeta. O gerente de gás natural da Abrace, Adrianno Lorenzon, também reconhece que os avanços foram muito rápidos nos últimos anos, mas enfatizou a necessidade de olhar para aprimoramentos. A prioridade, segundo Lorenzon, é avançar na gestão de penalidades, que representam o que o diretor da Abrace Energia classifica como “custos invisíveis”.
Fonte: EnergiaHoje
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