O CEO da Ultrapar, controladora da Ultragaz, Rodrigo Pizzinatto, fez duras críticas à proposta em estudo pela ANP que prevê alterações na regulação do GLP, incluindo o fim do respeito à marca e a permissão para enchimento fracionado de botijões. Para ele, mudanças abrem espaço para ilegalidades e crime organizado. Segundo o executivo, o Brasil é hoje referência mundial na regulação do setor, com um modelo moderno que garante segurança ao consumidor final e responsabiliza as distribuidoras. Para ele, o modelo atual mantém um mercado competitivo que estimula investimentos em eficiência e crescimento. “A proposta em estudo pela ANP, com fim de respeito à marca e enchimento fracionado, coloca em risco a segurança da população e os investimentos no segmento envasado, abrindo espaço para ilegalidades e crime organizado, como no caso do México”, afirmou.
O CEO destacou que, nos últimos dez anos, o setor investiu cerca de R$ 13 bilhões na construção, manutenção e requalificação de um parque de 133 milhões de botijões em circulação no país, além de seus sistemas de envase. Apenas a Ultragaz aportou aproximadamente R$ 3 bilhões no período. Para ele, o fim do respeito à marca reduzirá o incentivo para novos aportes das distribuidoras, levando ao envelhecimento e sucateamento gradual do parque de botijões e elevando riscos à segurança dos consumidores. Ele citou que países como Chile e Colômbia, que preservam a identidade de marca, mantêm parques com qualidade semelhante à do Brasil. Outro ponto de preocupação é o enchimento fracionado de botijões, que, segundo o executivo, elevaria o custo logístico e o preço final do produto. A prática, alerta o executivo, traria dificuldades para fiscalização, aumento dos riscos operacionais e possibilidade de fraudes no volume de gás.
Fonte: Valor Online
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