CEO da Copa Energia,uma das maiores companhias de gás GLP do País, dona das marcas Copagaz e Liquigás, Pedro Turqueto teme que mudanças na regulação do setor facilitem a entrada do crime organizado nesse mercado. Ele havia feito o alerta à ANP na discussão da Análise de Impacto Regulatório este ano. Mas, após a Operação Carbono Oculto, na última semana, o receio cresceu. “A preocupação é porque o modusoperandi que eles usaram no mercado de diesel e gasolina é altamente replicável no mercado de GLP”, disse em entrevista à Coluna. Dois pontos em debate na ANP preocupam: permitir a qualquer empresa encher botijão de outras marcas e autorizar o envase fracionado de botijões. mbora não esteja explícito no texto em debate que o enchimento poderá ser feito em posto de gasolina, Turqueto avaliou que “está subentendido”. E que poderia ser feito em qualquer pequeno estabelecimento. Motivos pelos quais o executivo questiona a segurança à população e a capacidade de fiscalização dos órgãos do Estado.
“Hoje a ANP não consegue fiscalizar se a gasolina está batizada, se a bomba está regulada. A ANP tem sérias dificuldades com contenções de custos e está falando em fazer a gestão de 130 milhões de botijões em tempo real, Brasil afora. Inimaginável que ela consiga fazer isso”. “No setor de gasolina, abriam CNPJ com baixíssimo investimento, tinham faturamento enorme, sonegavam impostos. Quando órgãos competentes fechavam, eles abriam outro do lado, faziam a mesma coisa e assim seguiam”, explicou. “O que está acontecendo no mercado de GLP é o seguinte: sob pretexto de ter mais competidores, estão abaixando a régua, para permitir que, com baixíssimo investimento, entrem nesse mercado. Para mim o paralelo é muito claro”.
O CEO da Copa Energia observou que, dentre os presos na Operação Carbono Oculto, há nomes que foram vistos circulando em eventos e tentando aproximação nas discussões do mercado de gás. “O crime entra com fuzil em alguns locais, mas estamos vendo que entra, principalmente, em brechas regulatórias ou por falta de fiscalização”. Em julho, a ANP dispensou 41 terceirizados que atuavam no apoio administrativo de seu escritório central, no Rio, em razão das restrições orçamentárias. Também informou que fecharia as portas 3 dias por semana para economizar recursos e tentar chegar até o final do ano.
Em nota enviada à Coluna, a ANP confirmou estar revisando o marco regulatório da distribuição e revenda de gás liquefeito de petróleo (GLP), mas disse que não ficou claro como possíveis alterações trariam risco de entrada de facções criminosas nesse mercado. Também afirmou que fará audiências públicas sobre o tema, e que a conclusão do processo só ocorrerá em abril de 2026. A agência alegou que o debate inclui condições “para que os agentes realizem as atividades, de forma a garantir a segurança, o investimento e a rastreabilidade dos botijões”.
Fonte: O Estado de S.Paulo / coluna do Estadão
Related Posts
Abastecimento de diesel e gás de cozinha está garantido para abril, diz ANP
Segundo o diretor da ANP, Pietro Mendes, o abastecimento de óleo diesel e GLP, o gás de cozinha, está garantido em abril. O Brasil importa entre 25% e 30% de diesel e GLP para atender à demanda nacional. O...
Senacon vai fiscalizar práticas abusivas na venda de gás de cozinha
O MME solicitou que a Senacon fiscalize possíveis práticas abusivas na comercialização do GLP. A Senacon é vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. A decisão vem após o resultado do leilão...

