A EPE pera colocar em consulta pública ainda este mês o Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano. E a primeira edição do planejamento deve recomendar a construção de dois hubs para injeção de biometano na malha de gasodutos de transporte. Segundo a diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloísa Borges, um deles será proposto para São Paulo e outro para o norte do Paraná. “Para esse ciclo, a gente conseguiu identificar, de forma muito concreta, dois hubs. Acompanha a nossa fronteira agrícola… Então, faz sentido você agrupar esse potencial, a gente fez um esforço de agrupar esse potencial num hub e, desse hub, conectar à malha de transporte [no Gasbol]”, afirmou Heloísa Borges. Segundo ela, a expectativa em torno do início do mandato do biometano a partir de 2026, como previsto na lei do Combustível do Futuro, ajuda a aumentar o grau de maturidade das conexões. A previsão é que os hubs sejam implementados entre 20 e 30 meses. “A gente acha que esse potencial já está maduro e que agora é a hora da gente começar a falar da integração do biometano na infraestrutura”. A diretora da EPE ressalva que, pelas características do potencial de produção do biometano no Brasil, muito pulverizado, nem sempre fará sentido a conexão com a malha de gasodutos de transporte. “[Mas] quando você tem um cluster próximo, faz sentido econômico você produzir o biometano, agrupar para injetar na malha”.
Rota de integração com a Argentina
Outra novidade do Plano Integrado, conta Heloísa, será a recomendação de uma rota de integração com o mercado argentino. O projeto segue sob sigilo. Segundo ela, o plano vai sugerir a rota atualmente “mais madura”. “Para a gente recomendar [o projeto], o traçado tem que ter um grau de maturidade maior. Ele tem que ter saído do campo das ideias conceituais, para já a gente poder ter um desenho de projeto”, disse.
Os próximos passos
Hoje, a EPE já publica planos de expansão para cada um dos elos da cadeia (transporte, escoamento e processamento, terminais de GNL), mas eles são, atualmente, meramente indicativos. A ideia é que, com o PNIIGB, a estatal subsidie a ANP no processo de outorga de novos projetos. A EPE indicará, por meio do Plano Nacional Integrado, as melhores alternativas de expansão das infraestruturas, analisadas sob um olhar sistêmico. A ANP ofertará, então, a outorga da autorização para as instalações previstas no Plano para os investidores interessados, por meio de processo seletivo público para escolha do projeto mais vantajoso, considerados os aspectos técnicos e econômicos. “A ideia é essa. Uma concorrência: ganha quem der a menor tarifa. Porque o que a gente quer é uma menor tarifa para o consumidor final”. “[O Plano Nacional Integrado] traz uma concretude maior [que os planos indicativos]… A gente já traz projetos mais concretos, onde a gente, de fato, recomenda que seja dado início ao processo de autorização”, comentou.
Fonte: Eixos
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