A Diamante Energia, empresa dona do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, anunciou planos para abandonar a geração a carvão mineral e investir em alternativas como gás natural e pequenos reatores nucleares (SMRs). A mudança faz parte da estratégia da companhia de “evolução energética” e da busca por soluções com menor pegada de carbono, mantendo o complexo em operação. Jorge Lacerda tem contrato de geração de energia com carvão mineral até 2040, após a sanção do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao projeto de lei 712/19 que prorrogou por 15 anos, a partir 2025, a contratação da termelétrica. O plano da Diamante é manter o complexo em operação, fazendo a geração com gás natural e energia nuclear. “Tendo tecnologias para reduzir a emissão de carbono, por que matar o petróleo, o gás e o carvão? Não tem por que renunciar à riqueza de um país. Somos uma empresa que está buscando a evolução energética”, afirmou Jorge Nemr, presidente do conselho de administração da Diamante.
A companhia assinou recentemente um acordo com a Finep para desenvolver e testar tecnologias críticas aplicáveis a microrreatores nucleares. Segundo a diretoria, essa etapa abre caminho para a inserção da energia nuclear como alternativa para garantir segurança de suprimento e preços competitivos no país. Contudo, a viabilidade de novos empreendimentos nucleares no Brasil com apoio da iniciativa privada passa pelo enquadramento constitucional e legal, já que esse tipo de projeto é de monopólio da União. Ou seja, a União, além de legislar, detém a exploração dos serviços e instalações nucleares e o monopólio das etapas sensíveis do ciclo do combustível nuclear, o que historicamente se operacionaliza por meio de estatais, como a Eletronuclear e a Indústrias nucleares do Brasil (INB). O presidente da frente parlamentar do setor nuclear, o deputado Júlio Lopes (Progressistas-RJ), defende uma mudança na legislação para facilitar a parceria de empresas privadas do mercado. “Não há impedimento para a participação de minoritários, mas o mercado tem receios. É preciso um decreto sobre o tema, uma medida provisória. O ministro Silveira [minas e energia] deve anunciar isso nos próximos dias”, afirmou parlamentar no mesmo evento.
No front do gás, a Diamante mantém uma joint venture com a Nebras Power, do Catar, braço internacional de investimentos em energia da Qatar Electricity & Water Company (QWEC). O objetivo é avançar em projetos de termelétricas a gás natural e disputar o próximo leilão de reserva de capacidade. “Estamos estudando a transição energética do Complexo Jorge Lacerda. Não é do dia para o outro, é um processo. Trata-se de uma oportunidade de desenvolver projetos sustentáveis, de bom preço e competitivos”, destacou Ney Zanella, CEO da Núcleo Brasil, controlada da Diamante no Brasil. A Diamante confirmou estar em diligência para aquisição de termelétricas já em operação, mas não revelou os ativos em análise. A empresa participou do processo de compra das térmicas da Eletrobras, arrematadas pela Âmbar, do grupo J&F, mas não foi vencedora. Com a estratégia, a companhia busca reposicionar o Complexo Jorge Lacerda, historicamente associado ao carvão, em novas tecnologias de geração, conciliando competitividade com padrões ambientais mais rígidos.
Fonte: Valor Online
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