Até 2030, cerca de 300 bilhões de metros cúbicos (bcm) por ano de capacidade de exportação de GNL deverão ser adicionados ao mercado, estima a International Energy Agency (IEA) no Gas 2025, divulgado nesta segunda (27). Os EUA e o Catar serão os responsáveis por 70% da adição de capacidade, segundo os cronogramas oficiais de projetos que atingiram a decisão final de investimento (FID) ou estão em construção. Em 2025, mais de 90 bcm por ano foram sancionados, sendo que mais de 80 bcm por ano foram aprovados nos EUA, com os projetos de Louisiana LNG, Corpus Christi Train 8 e 9, CP2 fase 1, Rio Grande LNG Train 4 e 5 and Port Arthur fase 2. “A ampliação do fornecimento de GNL desempenhará um papel fundamental no aumento da segurança do fornecimento e na melhoria da acessibilidade do gás natural, inclusive em mercados importadores emergentes sensíveis ao preço”, disse a IEA. Mas mesmo que os mercados de gás tenham se reequilibrado gradualmente após o choque de oferta desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os preços permaneceram bem acima dos níveis históricos. Isso restringiu a demanda, especialmente nos mercados asiáticos sensíveis ao preço. Prevê-se que o crescimento da demanda global de gás desacelere de 2,8% em 2024 para menos de 1% em 2025.
No entanto, de acordo com a agência internacional, o aumento da capacidade pode indicar um crescimento líquido de 250 bcm na oferta global de GNL até 2030. Esse número é previsto pela agência a partir de problemas de fornecimento de gás de alimentação, que podem reduzir a produção de GNL em quase 20 bcm/ano, das taxas de aumento de produção e os fatores de utilização. O cenário-base do relatório vê a demanda de gás natural aumentando quase 1,5% ao ano até 2030, o que se traduz em um aumento de 380 bcm em termos absolutos. A região da Ásia-Pacífico seria responsável por metade do crescimento, e o Oriente Médio, onde países como a Arábia Saudita estão mudando de petróleo para gás para sistemas de energia, contribuiria com quase 30%. No alto cenário do relatório – que explora como um declínio mais forte nos preços do GNL poderia estimular o crescimento adicional da demanda, particularmente na região da Ásia-Pacífico – o uso de gás natural pode aumentar em até 1,7% ao ano até 2030, resultando em mais de 65 bcm por ano de demanda adicional além do cenário base.
A previsão da IEA é que a produção de gás doméstico cresça mais de 55 bcm por ano nos principais países importadores de GNL. Será na China que o aumento estará concentrado, uma vez que a produção doméstica aumentará em mais de 20% (ou cerca de 55 bcm/ano) até 2030. No entanto, outros mercados importantes de importação de GNL na Ásia deverão enfrentar taxas de produção em declínio, incluindo Bangladesh e Paquistão. Na América do Sul e América Central, o aumento na produção de Vaca Muerta (Argentina) e o desenvolvimento de campos de pré-sal no Brasil deverão aliviar as necessidades de importação de GNL da região a médio prazo. Já na Europa, a expectativa é que a produção de gás doméstica fora da Noruega cresça marginalmente durante o período. já que os declínios de produção no noroeste da Europa são mais do que compensados pelo aumento da produção do campo de Sakarya, na Turquia, e pelo início da operação do campo Neptun Deep, na Romênia. “A deterioração da capacidade de entrega upstream dos antigos campos do Mar do Norte, na Plataforma Continental do Reino Unido, é um fator-chave por trás dessa tendência”, explicou a IEA. Sobre os países que importam GNL, a demanda deverá expandir-se em quase 11% (ou 175 bcm) até 2030. O aumento será concentrado na Ásia, com a necessidade de importação do GNL da região aumentando em cerca de 140 bcm no período – China e Índia serão responsáveis por 40% do crescimento. Ao olhar para a Europa, a demanda por GNL permanecerá estável em comparação com os níveis elevados esperados em 2025, já que a redução das importações de gás canalizado é compensada pelo declínio contínuo da demanda por gás natural. A América do Sul e Central passarão de um pequeno importador para um pequeno exportador líquido durante o período previsto, em meio ao aumento da produção doméstica na Argentina e no Brasil.
Na visão da IEA, haverá queda de 55 bcm até 2030 no comércio de gás canalizado, principalmente devido à redução das entregas de gás para a Europa. A previsão é que o fornecimento de gás pela Rússia à União Europeia (UE) será interrompido até 1º de janeiro de 2028, em linha com a proposta da UE – o bloco econômico, e os EUA, aplicaram sanções ao país devido ao não cessar-fogo na guerra. Em contraste, espera-se que as importações chinesas de gás canalizado da Rússia aumentem 75% (ou quase 25 bcm) durante o período previsto. Isso é impulsionado, em grande parte, pelo aumento das entregas através do sistema de gasodutos Power of Siberia e pelo início da operação do Gasoduto Far Eastern em 2027. A previsão também inclui um potencial de valorização de 6 bcm, em linha com os últimos acordos concluídos entre a Gazprom e a CNPC. Ambas as empresas firmaram quatro acordos no começo de setembro e, no mesmo dia, China e Rússia firmaram memorando legalmente vinculativo para a construção do gasoduto Power of Siberia 2.
Na América do Sul, as exportações de gás canalizado da Bolívia para o Brasil devem ser interrompidas em meio ao término do contrato de fornecimento e à queda nas taxas de produção na Bolívia. Para conter esse cenário, é a construção do gasoduto Conexão Argentina-Brasil, que foi proposto no Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB) da EPE. A ideia é o gasoduto importar gás de Vaca Muerta. O Conexão Brasil-Argentina inicia em Uruguaiana (RS) e segue até Triunfo (RS), com previsão de 593 km de extensão, 24 polegadas de diâmetro e capacidade de 15 milhões de m³/dia.
Fonte: PetróleoHoje
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