O Boletim do Gás Natural Nº 3, publicado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), expõe um paradoxo no mercado de gás natural: enquanto a produção nacional atingiu números recordes, a demanda industrial exibiu retração. Segundo o boletim, a produção média de gás natural alcançou, no terceiro trimestre de 2025, a marca de 190,1 MMm³/dia, um aumento de 18,6% frente ao mesmo período do ano anterior. Em julho, foi registrado um recorde histórico, com a produção de 190,9 MMm³/dia. Desse volume, 63,8 MMm³/dia foram disponibilizados ao mercado, também um recorde. O instituto informou que a expansão da produção é resultado da combinação de entrada em operação de novas plataformas no pré-sal com aumento da eficiência operacional dos sistemas existentes. A ampliação da produção doméstica contribuiu para reduzir a necessidade de importações.
Em contraponto, a demanda doméstica registrou retração. Entre janeiro e setembro, período em que a produção (172 MMm³/dia) teve crescimento de 16,5%, na comparação com igual período de 2024, o consumo industrial, principal destino do gás no país, recuou 3,9%. Além disso, o uso térmico caiu mais de 20%, em razão da menor necessidade de despacho para as termelétricas. Segundo o boletim, a abertura do mercado não se traduziu em eficiência. O informativo destaca que a Nova Lei do Gás estabeleceu bases para que consumidores pudessem contratar diretamente o suprimento junto a produtores e comercializadores, sob a justificativa de ampliar a concorrência, atrair novos agentes e reduzir o preço final do insumo. “Contudo, cinco anos após o lançamento do programa e dois após o início do Gás para Empregar, os avanços permanecem limitados. A proposta de liberalização convive com gargalos logísticos e disputas regulatórias, associadas a um modelo gestado entre 2016 e 2022, que restringe a capacidade de coordenação estatal sobre a cadeia de gás natural”, comenta a publicação.
Fonte: EnergiaHoje
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