A EPE publicou o “Fact Sheet GLR – Combustível de baixo carbono para a descarbonização global”, um documento que reúne informações essenciais sobre a produção do GLR, combustível equivalente ao GLP fóssil. O fact sheet tem como foco insumos oriundos da biomassa, chamados de Biogás Liquefeito Renovável (BioGLP), e apresenta as principais rotas tecnológicas de produção. A principal rota é o hidrotratamento de óleos vegetais, ésteres e ácidos graxos (HEFA) para produção de diesel verde (DV) e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Dentre as rotas emergentes, destaca-se o processamento de óleos e gorduras em craqueamento catalítico fluidizado (FCC), pois torna a refinaria mais flexível, uma vez que o craqueamento poderá fracionar cadeias longas de óleos vegetais ou animais em hidrocarbonetos de cadeias de carbono menores.
O trabalho também oferece um panorama nacional com iniciativas em andamento, oportunidades e desafios para ampliar a produção no Brasil. Como mostra o fact sheet, a produção atual é incipiente, mas com expectativas de crescimento impulsionadas por políticas de incentivo e busca por energias de baixo carbono. Entre as principais frentes de estudos está parceria entre a USP e a Copa Energia, firmada em 2022, para a realização de modelagem e otimização da cadeia de produção do GLR para identificar melhores rotas e cenários. Outra parceria, entre a UFRJ e a Copa Energia, produziu entre 2023 e 2024 as primeiras quantidades de GLR em escala laboratorial a partir de glicerol e de etanol. O Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, pioneiro em plantas pilotos para combustíveis desde a década de 1980, vem realizando pesquisas envolvendo diversas rotas tecnológicas, inclusive o craqueamento catalítico fluidizado (FCC). Aproveita, para isso, a flexibilidade de equipamentos já existentes para processamento e co-processamento de petróleo e biomassa graxa animal e vegetal para produção de BioGLP. A Refinaria Riograndense, em parceria com Ultragaz, Petrobras e Braskem, foi pioneira na produção industrial do primeiro lote comercial de BioGLP em 2025 pela rota FCC, utilizando tecnologia desenvolvida no Cenpes. Em 2024, a CBMM comprou 60 toneladas de BioGLP.
Fonte: EnergiaHoje

