Para a vice-presidente da Equinor no Brasil, Cláudia Brun, o Brasil pode usar os recursos de royalties e do Fundo Clima para estimular a criação de nova demanda industrial e ampliar o consumo de gás natural. Para ela, é possível estruturar mecanismos de incentivo a plantas industriais, inclusiva para aquelas voltadas a mercados internacionais de produtos de menor emissão. Brun afirmou que o país tem instrumentos financeiros e interesse empresarial suficientes para viabilizar um novo ciclo de crescimento da demanda por gás. “A gente tem condição, sim, de viabilizar a nova demanda de uma forma bem pensada”, disse. Segundo a executiva, há industriais dispostos a investir em novas plantas. “Por que não a gente utilizar verba de royalties ou do Fundo Clima para justamente incentivar novos investimentos em nova demanda, em novas plantas industriais que vão utilizar o gás natural, que é um combustível com menos pegada de carbono?”. Brun destacou que o consumo industrial firme é o que sustenta novos projetos de oferta. Ela apontou que a demanda brasileira não cresce há pelo menos quatro anos.
Riscos ao produtor
Ao tratar da oferta, Brun avaliou que há hoje uma “alocação muito desproporcional de riscos em cima do produtor”, o que dificulta a viabilização de novos projetos. Também demonstrou preocupação com políticas que restrinjam a liberdade dos operadores no desenvolvimento dos campos. “A gente vê com muita preocupação políticas públicas ou novas regulamentações que, de alguma forma, engessem a liberdade do produtor escolher o desenvolvimento e a forma de maximizar a recuperação de hidrocarbonetos para o investidor”, afirmou. Segundo ela, limitar essa autonomia pode afastar capital. “Não ter uma visão realista de que essa é a regra do jogo é algo que, de alguma forma, afugenta os investidores, porque você vai buscar investimentos em outros lugares onde a previsibilidade de regras prevaleça”. Segundo Brun, investimentos em exploração e produção são de longo prazo e exigem estabilidade das regras. Um dos principais alvos de críticas dos produtores hoje são as discussões no governo para limitar a reinjeção de gás natural. A executiva também criticou o modelo atual de rateio de investimentos para eliminar gargalos na malha de dutos. Para a executiva, é necessário promover uma socialização dos encargos nesse segmento, para tornar o sistema mais equilibrado e competitivo.
LRCAP
Sobre o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), a executiva reconheceu como positivos os ajustes recentes nas regras, como o aumento do preço-teto e o equacionamento do transporte para térmicas conectadas à malha. Ainda assim, alertou que parte relevante da capacidade firme não deverá ser recontratada, o que pode gerar custos futuros. Para ela, o desenho do leilão “privilegia o gás importado e não o gás doméstico”, o que contraria a diretriz de aproveitar as grandes reservas nacionais como base para novos investimentos.
CGOB
Brun também comentou a regulamentação do mercado de biometano e do certificado de garantia de origem (CGOB). Para ela, o foco deve ser assegurar credibilidade ao instrumento. Ela defendeu ainda que as obrigações não fiquem concentradas apenas no produtor. “Quanto mais concessionários estiverem envolvidos, maior liquidez mais esse mercado vai sair dessa esfera de projetos pilotos, para virar uma commodity efetivamente”, disse. Ao falar de financiamento, Brun reconheceu que o capital global para óleo e gás enfrenta concorrência crescente com a transição energética.
Fonte: Eixos
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