A Abegás afirma que o Brasil precisa ampliar a oferta de gás natural e reduzir os volumes reinjetados nos campos de produção para fortalecer a segurança energética do país. A entidade argumenta que tensões geopolíticas internacionais, especialmente no Oriente Médio, aumentam a volatilidade no mercado global de energia.
A reinjeção de gás natural ocorre por 3 razões principais:
– A 1ª é técnica – o gás é comprimido e devolvido ao reservatório para elevar a pressão interna, o que aumenta a extração de óleo.
– A 2ª é estrutural – o Brasil ainda enfrenta gargalos na malha de gasodutos, o que limita o escoamento da molécula até os centros consumidores.
– A 3ª é estratégica – parte relevante do gás do pré-sal tem alto teor de CO₂, o que reduz sua atratividade comercial em comparação com o gás importado da Bolívia.
Em nota, a associação disse que conflitos em regiões estratégicas para a produção de gás podem afetar tanto a disponibilidade quanto os preços da commodity e que o Brasil “precisa preservar sua segurança energética e competitividade no mercado”.
No contexto da escalada das tensões no Oriente Médio, a cotação do petróleo tipo brent na Bolsa tem alcançado valores considerados elevados. Na 5ª feira o preço chegou a US$ 86 por volta das 17h (horário de Brasília), segundo painel da consultoria Investing. Antes da escalada a cotação do barril estava em cerca de US$ 70.
A restrição na passagem de navios no Estreito de Ormuz –por ameaça de ataques a navios que passam pela região– fez com que o escoamento de cerca de 20% do óleo comercializado em todo o mundo fosse represado. A incerteza sobre o abastecimento pressiona as cotações para cima.
Também eleva a incerteza no setor energético a refinaria estatal do Qatar, QatarEnergy, interromper a produção e distribuição de gás natural e derivados depois de ser atingida por destroços de drones iranianos. O preço do gás natural no Reino Unido chegou a bater US$ 156,6 na 3ª feira (3.mar). Antes a commodity estava cotada numa média de US$ 80.
Segundo a Abegás, o cenário lembra os impactos registrados após a Guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, que elevou os preços de energia e pressionou cadeias de suprimento em diversos países.
A redução da prática diminuiria a vulnerabilidade a choques externos porque amplia o aproveitamento do gás produzido, aumentando a oferta doméstica e reduzindo custos para consumidores e indústrias.
Mais Medidas
A aceleração de políticas públicas para ampliar a concorrência no mercado, como o chamado gas release, mecanismo que busca aumentar o número de fornecedores disponíveis para consumidores industriais, também é uma medida que a associação defende como necessária.
Assim como a expansão da infraestrutura de transporte e processamento de gás, a redução de tarifas associadas ao acesso a sistemas de escoamento e processamento e o estímulo ao consumo em setores como geração termelétrica, transporte pesado e centros de dados.
A Abegás também citou a necessidade de ampliar investimentos em novas fronteiras de produção, como a Bacia de Sergipe-Alagoas e a Margem Equatorial, além de permitir estudos sobre exploração de gás de xisto, técnica usada em outros países.
Fonte: Poder 360
Related Posts
Abegás: Ação da AtGás contra RCM reforça resistência à regulação econômica
A ação ajuizada pela Associação das Transportadoras de Gás Natural (ATGás) contra a aplicação do Método do Capital Recuperado (RCM) na valoração da Base Regulatória de Ativos (BRA) das transportadoras NTS e...
O espelho do privilégio no transporte de gás no Brasil
Em artigo publicado no portal Poder360, o consultor Zevi Kann afirma que A aproximação da tomada de decisão da ANP sobre a definição da BRA (Base Regulatória de Ativos) dos contratos legados do setor de...

