O Brasil enfrenta um desafio estrutural: o alto custo da energia, que onera a indústria e trava a produtividade nacional. Este foi um dos temas centrais da discussão promovida pela ANP no último dia 10.
A diretora-presidente da MSGÁS, Cristiane Schmidt, foi uma das convidadas do 1º Workshop do Programa de Redução da Concentração no Mercado de Gás Natural (Gas Release), realizado na FGV, em São Paulo (SP). O evento reuniu especialistas do setor de energia, economistas e representantes dos principais players do país para debater as tarifas e o alto custo do combustível. Durante o painel, Cristiane destacou que “o avanço do setor exige uma agenda conjunta, transparente e focada em resultados reais para o consumidor”.
O Gas Release é um mecanismo regulatório adotado mundialmente para estimular a concorrência e desconcentrar mercados monopolizados. Na prática, funciona como um programa de liberação de volume, obrigando o agente dominante (que no Brasil é a Petrobras), a vender uma parcela do seu gás natural para outras empresas comercializadoras.
Para que a medida cumpra seu papel social e consiga baratear a conta do consumidor cativo, ou seja, aquele que utiliza o gás no comércio local, nos hospitais e nas residências, a executiva defende que a ANP precisa adaptar a regulação à infraestrutura e à realidade contratual de cada distribuidora.
Schmidt ressaltou que, em Mato Grosso do Sul, o Mercado Livre de Gás já é uma realidade na indústria. No entanto, o preço elevado da molécula de gás natural gera um efeito colateral severo, reduzindo a demanda e forçando o setor produtivo a buscar fontes alternativas.
É neste cenário que o biometano ganha protagonismo. Trata-se de uma excelente iniciativa de energia verde, e a MSGÁS já projeta investimentos para receber esse combustível em sua rede de distribuição, visto que ambos os gases possuem a mesma composição molecular. Contudo, a presidente fez um alerta estratégico: se o gás natural mantiver preços altos, a produção autônoma de biometano (por usinas e frigoríficos) pode acabar subtraindo o mercado das distribuidoras, em vez de atuar como um complemento à matriz energética estadual.
“Precisamos que produtores, transportadoras, comercializadores e distribuidoras alinhem estratégias. O desenvolvimento do país depende de um mercado de energia eficiente, competitivo e que funcione para todos”, concluiu a presidente da MSGÁS.
Fonte: MSGÁS / Comunicação
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