A destruição parcial da infraestrutura de GNL do Catar, um dos maiores exportadores globais da commodity, pode abrir espaço para atração de investimentos em liquefação em países da América do Sul e da África, na avaliação de executivos da Shell e da Chevron. O presidente da divisão de Gás Integrado da Shell, Cederic Cremers, disse que a nova guerra no Oriente Médio exigirá dos grandes players do setor a “construção de um portfólio global diversificado”. Segundo ele, isso abre oportunidades não só para investimentos em países do Sul global, como também nos grandes produtores globais de GNL fora do Golfo Pérsico. “A gente não pode esquecer da capacidade existente. Há muito gás ainda a ser produzido a partir de tie backs“, afirmou. EUA e Austrália, outros grandes exportadores de GNL, pode compensar parcialmente a queda na oferta do Catar.
O presidente da Chevron na Austrália, Balaji Krishnamurthy, acrescentou que o conflito atual evidenciou o risco de se ter uma oferta de GNL tão concentrada. O executivo citou, então, América do Sul (a Argentina, em particular) e África como fontes alternativas de gás. “Podemos ver um aumento de projetos de FLNG [nessas regiões]”, completou. A expectativa no mercado hoje é de que o aprofundamento da guerra no Oriente Médio e das tensões no Estreito de Ormuz poderá frear as aspirações de expansão das majors no Catar e nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e redirecionar investimentos em GNL para outras regiões do planeta.
Fonte: Eixos / CERAweek
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