O CEO da Shell, Wael Sawan, disse que a companhia tem condições de tomar decisões finais de investimento em projetos de gás natural na Venezuela ainda este ano, se o país sul-americano continuar com a reforma de seus marcos fiscais e regulatórios. Ele destacou que a capacidade de resposta da empresa a investimentos na Venezuela tende a ser mais rápida no gás do que no petróleo. E que a ideia é monetizar o gás venezuelano via GNL. “No setor de gás, estamos falando de um horizonte mais próximo — de dois a três anos (…) Poderíamos até mesmo estar em posição de tomar decisões finais de investimento em um ou dois projetos antes do final deste ano, caso nos sejam proporcionados os marcos fiscais e regulatórios adequados”, comentou. A Shell mantém um projeto de gás offshore de longa data na Venezuela, o Dragon, mas que sofreu contratempos nos últimos anos. A intenção da Shell é exportar o gás para Trinidad & Tobago, onde a companhia produz GNL. A retomada dos investimentos na Venezula acompanha a recente promulgação de uma lei venezuelana que abriu o setor de petróleo ao investimento privado, rompendo com um dos princípios fundamentais da gestão Chávez-Maduro. Wael Sawan destacou ainda que a Shell mantém a confiança no mercado de GNL. “Continuamos acreditando que a demanda por GNL crescerá bem até a década de 2040 e potencialmente até a década de 2050, sustentada pela natureza do GNL como um parceiro confiável para energias renováveis e sistemas de energia, mas também, e crucialmente, em áreas como transporte e indústria”. “Estamos absolutamente focados em garantir que nosso GNL seja resiliente em termos de custos”, completou.
A aposta da Shell na Venezuela ocorre em um momento em que o país busca reverter um histórico de baixa prioridade à exploração de gás. A Venezuela tem enorme potencial, mas nunca priorizou o setor, disse Edmar de Almeida, da PUC-Rio, ao estúdio eixos. Segundo ele, o país concentrou investimentos em petróleo e não dispõe de recursos para desenvolver reservas de gás nem construir dutos — o que força a importação da Colômbia. No petróleo, embora Caracas divulgue reservas de 300 bilhões de barris, a Rystad Energy aponta volumes muito menores: 4 bilhões em reservas provadas e 23 bilhões em reservas descobertas. O tema voltou ao centro dos discursos de Donald Trump após a captura de Nicolás Maduro.
Fonte: Eixos CERAweek
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