A Argus, empresa especializada na produção de relatórios e análises de preços para vários mercados, está oferecendo, desde meados do mês de março, um indicador de preços para o mercado spot de gás natural que se baseia nas condições do mercado brasileiro. “Havia uma demanda muito grande de grandes compradores e grandes consumidores de gás por uma maior transparência em relação à questão da precificação”, explica Marcos Mortari, responsável por Precificação de Gás Natural da Argus. De acordo com ele, no caso do mercado regulado de gás natural, estão à disposição dos interessados no site da ANP dados públicos relacionados a negociações entre produtores de gás natural e distribuidoras, sobretudo os contratos de longo prazo.
O mesmo acesso não ocorre, porém, quando se trata de mercado livre. Além disso, apesar de cerca de 70% do gás consumido no país serem produzidos no país, a precificação no mercado regulado ainda está majoritariamente atrelada a benchmarks internacionais, como o preço do petróleo Brent e o Henry Hub – um indicador norte-americano para o segmento de gás natural. Mortari explica que, com o desenvolvimento do mercado de gás natural no Brasil, desde a Nova Lei do Gás, a Argus vinha constatando uma crescente demanda por alguma forma de precificação que considerasse realmente as condições do mercado brasileiro.
Com base nisso, a empresa resolveu desenvolver um indicador de preços acessados – ou seja, apurados diretamente junto aos agentes de mercado –, que são uma novidade no mercado de gás. Com essa metodologia, são consultados diariamente produtores, consumidores, distribuidores e transportadores para se estabelecer a precificação. A Argus optou, nesse primeiro momento, por precificar somente a molécula, a partir de um entendimento metodológico definido em consultas ao mercado. “O preço do transporte varia muito entre os players, o que poderia causar distorções até na precificação final, dada a atual condição de maturidade do mercado”, afirmou. Além disso, a companhia optou por estabelecer preços diários da molécula do gás nacional. Com a guerra travada entre EUA e Israel contra o Irã, a parte do gás natural do mercado brasileiro deverá sentir os efeitos em maio, quando ocorre o reajuste trimestral de vários contratos. “Esses contratos deverão sofrer o impacto de uma parte da alta do barril do Brent provocada pela guerra no Oriente Médio”, destaca Mortari. Antes do lançamento do novo indicador, em 19 de março, a Argus construiu uma série histórica de dois meses com o objetivo de calibrar, ao longo desse período, a metodologia.
Com base nessa série, é possível verificar a diferença entre a variação do indicador brasileiro, que considera as condições brasileiras de demanda e oferta – o que inclui um cenário de sobreoferta atual – com a variação do Brent, que indexa vários contratos. O indicador Argus para o mercado spot de gás natural saiu de R$1,25/m³ em 20 de janeiro, para R$1,50/m³ em 6 de abril – uma variação de mais de 20%. A mínima no período foi de R$ 0,91/m³, registrada em 2 de março, enquanto a máxima foi de R$1,59/m³, observada em 13 e 18 de fevereiro. Já os contratos futuros do petróleo tipo Brent saíram de US$ 64.92 para US$ 109.77 no mesmo período. Ou seja, sob o conflito armado no Oriente Médio, o barril disparou 69%. “As variações nos preços do nosso indicador respondem muito mais às condições do mercado doméstico – notadamente, o balanço de oferta e demanda, situação de empacotamento da malha de gasodutos, níveis de despacho térmico e PLD”, diz Mortari. Segundo ele, a Argus observou uma alta nos preços desde o início de abril, que participantes do mercado atribuem a uma percepção de mercado mais short diante de incertezas em relação à oferta doméstica com a possibilidade de manutenções em rotas de escoamento de produção, além de atenções maiores ao despacho térmico.
Fonte: EnergiaHoje
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