O segundo leilão de reserva de capacidade (LRCAP) do Brasil deve impulsionar investimentos na rede nacional de gasodutos, atualmente em torno de R$5 bilhões (US$1bi) por ano. Realizado em março, o certame contratou 18,97GW – a maior parte baseada em gás natural –, com 60 usinas termelétricas novas, que representam 8,86GW de disponibilidade de potência. Segundo a Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás), os principais investimentos estruturantes no setor são: Hub Sergipe, da Transportadora Associada de Gás (TAG): atende cerca de 15% da demanda energética do Nordeste, interligando o terminal de GNL e a usina termelétrica (UTE) Porto de Sergipe à malha nacional, garantindo a geração térmica mesmo em períodos de restrição hídrica; Expansão da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil (TBG): previsão de novos pontos de entrega em Araucária (Paraná) em 2028, Campo Grande (Mato Grosso do Sul) em 2029, Garuva (Santa Catarina) em 2029 e Lins (Espírito Santo) em 2031. Inclui também o projeto Livre Alocação, focado na ampliação do escoamento do Terminal Gás Sul (TGS), em Santa Catarina, com reforço na infraestrutura de compressão para atendimento a mercados estratégicos como São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Para a ATGás, o sistema de transporte de gás natural (STGN) é um elo estratégico para a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) no contexto do LRCAP 2026. “Usinas conectadas à rede nacional oferecem maior confiabilidade, flexibilidade operacional e menor risco logístico – atributos essenciais para a entrega da potência firme exigida pelo certame”, disse a associação. A entidade acrescentou que as transportadoras reafirmam o compromisso com a modernização da rede para integrar os novos projetos do LRCAP com agilidade, eficiência e segurança. Juntas, TAG, TBG e Nova Transportadora do Sudeste (NTS) têm investimentos previstos de cerca de R$30 bilhões para o período 2024-2033, segundo o plano coordenado mais recente. O objetivo é não apenas viabilizar o transporte do gás do pré-sal para estados no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, como também assegurar maior capacidade de transferência entre pontos dentro das áreas atendidas por cada transportadora. Em janeiro, a NTS anunciou investimento de cerca de R$1 bilhão na construção de uma estação de compressão de gás natural em Japeri, na Baixada Fluminense (Rio de Janeiro), e de um ponto de recebimento de gás em Macaé, na região norte do estado. A empresa do grupo Brookfield tem uma série de projetos bilionários no pipeline, segundo o MME.
Distribuição
Para chegar às termelétricas, o gás transportado passa pela malha das distribuidoras, que detêm a concessão do gás canalizado nos estados. “Com certeza as distribuidoras farão os investimentos necessários para conectar os novos projetos de termelétricas contratados no LRCAP”, disse à BNamericas Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás, que representa o setor. Ele ressaltou que algumas termelétricas vencedoras já estão conectadas e que “certamente, os novos projetos colaborarão para a modicidade tarifária em todos os segmentos”. Os investimentos das distribuidoras de gás canalizado nos próximos cinco anos no Brasil devem superar R$10 bilhões. Entre os estados que receberão aportes estão São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Fonte: BNAmericas
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