Diretor-executivo da Abegás diz que Brasil não deveria estar exposto a impactos geopolíticos, uma vez que a produção nacional atende a demanda brasileira
O setor de distribuição de gás canalizado vê com preocupação os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre as tarifas de gás natural no Brasil.
Durante o evento GasWeek, em Brasília, o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, manifestou preocupação com os reajustes tarifários previstos em 1º de maio e 1º de agosto, conforme calendário trimestral e que um dos principais fornecedores de molécula, a Petrobras, anuncia os reajustes periódicos para as concessionárias de distribuição de gás canalizado.

Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás, na Abertura Institucional da GasWeek 2026. Foto: Divulgação/Agência Eixos
Apesar de o Brasil possuir produção nacional capaz de atender à demanda, especialmente no mercado industrial fora do setor termoelétrico, Mendonça criticou a exposição do país a efeitos geopolíticos. “O Brasil não deveria estar exposto [a esses impactos] até porque a produção nacional atende a demanda brasileira, principalmente no mercado industrial, fora do mercado termoelétrico. Não teria necessidade de a gente ter uma exposição tão grande aos efeitos geopolíticos,” afirmou.
O diretor da Abegás também apontou para a existência de medidas que, paradoxalmente, beneficiam combustíveis mais poluentes em detrimento do gás natural. “A gente vê algumas medidas que beneficiam combustíveis mais poluentes, invés de gás natural. Então, a gente vê dentro dessa agenda o esquecimento do gás natural, privilegiando o diesel, que tem maior pegada de carbono,” explicou.
A discussão sobre a classificação de gasodutos também foi mencionada por Mendonça como um tema relevante, que deve respeitar os limites de atuação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e das agências estaduais, conforme a Constituição. “Se a ANP quiser classificar o transporte que está a montante dos citygates, está perfeito. Agora, não pode invadir na competência estadual”, afirmou, destacando o papel das distribuidoras, que investem cerca de R$ 1,5 bilhão anualmente.
Apesar da expectativa de aumento de oferta de gás, Mendonça ressaltou a urgência de transformar esse potencial em realidade. “Não dá mais para esperar,” disse. “O objetivo deve ser monetizar o gás para impulsionar o crescimento econômico e a geração de empregos no Brasil”, afirmou, reforçando a necessidade de que esses debates não se restrinjam apenas a momentos de crise, mas que as discussões “permaneçam durante todo o ano.”
Fonte: Comunicação Abegás
Related Posts
Gasmig investe em Ipatinga e projeta nova expansão da rede no Vale do Aço
A Gasmig ampliou sua rede de distribuição em Ipatinga, no Vale do Aço, reforçando a presença da Gasmig na região que concentra importantes clientes industriais. Com o novo bolsão Horto, a Gasmig investiu...
Criciúma, Tijucas e São Francisco do Sul lideram consumo de gás natural em Santa Catarina
O ranking de consumo de gás natural em Santa Catarina registrou mudanças recentes e aponta uma nova configuração entre os principais polos consumidores do estado. Dados da SCGÁS mostram que São Francisco do...

