Para o presidente da Copersucar, Tomás Manzano, a utilização de biometano no transporte pode cortar pela metade as importações de diesel do Brasil em até 10 anos. A declaração foi dada durante a divulgação do projeto BioRota, no Porto de Santos (SP). De iniciativa da Copersucar, o projeto logístico inaugura a primeira rota sustentável com caminhões a biometano para exportação de açúcar, ligando as cidades do interior ao porto. “A vinhaça já está lá (nas usinas de etanol), é só uma questão de tempo para as usinas passarem a produzir (biometano)”, afirma Manzano. Para o executivo, o tempo para a integração dependerá da prioridade de investimento dos produtores de etanol, mas ele aposta em um caminho sem volta. “No tempo, nós não temos dúvidas de que todas as usinas do Brasil terão uma planta de biometano”. Atualmente, o Brasil importa cerca de 20% do diesel que consome. Com o conflito de Estados Unidos e Israel contra Irã, a passagem de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, rota de exportação da produção do Golfo Pérsico, foi paralisada. Com a extensão da guerra, a oferta dos combustíveis derivados de petróleo passou a ser uma preocupação do setor e do governo, assim como os preços.
Substituição de caminhões a diesel na Copersucar
A Copersucar já substituiu 15% da frota de caminhões a diesel utilizados para transporte de açúcar por veículos a biometano proveniente dos resíduos de cana-de-açúcar das usinas. A iniciativa de economia circular conta com mais de 70 caminhões. O biocombustível é produzido em duas plantas da Cocal, acionista da Copersucar, localizadas no oeste paulista. Ao todo, as duas unidades produzem até 85 mil m3 por dia de biometano durante a safra. A empresa estima que, até março de 2026, a iniciativa substituirá cerca de 5 milhões de litros de diesel por biometano, evitando a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO2. “A BioRota traduz, na prática, como a Copersucar transforma sustentabilidade em ganho operacional e competitividade. É uma solução escalável e economicamente viável, que acelera a descarbonização do transporte pesado e reforça o papel do Brasil na transição energética global”, comenta Manzano. A expectativa da companhia é que todas as usinas associadas passem a produzir e utilizar biometano nas operações nos próximos anos. A Copersucar pretende, em cerca de 10 anos, agregar a produção de 2 a 4 milhões de m3 de biometano por dia. Entretanto, a empresa precisa lidar com o gargalo dos poucos pontos de abastecimento para conseguir expandir o transporte com o biometano, já que a autonomia dos caminhões é de cerca de 600 km. “À medida que você tiver mais caminhões, mais carga, a expansão dos pontos vai acontecer. O Brasil tem uma rede de postos muito ampla, não vejo ele como restritor para limitar o crescimento da utilização do biometano”, disse Manzano. Outro desafio logístico apontado pelo presidente é o transporte do botijão de biometano da usina ao posto.
Mandato do biometano vai alavancar produção
“O grande motor dos investimentos é o mandato do biometano”, enfatiza o executivo. Implementado neste ano, o mandato do biometano tem, em caráter excepcional, a meta anual de 0,5% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) no mercado de gás natural. A lei do Combustível do Futuro determinou o início do mandato em 2026 com 1% de descarbonização. O patamar será gradualmente estabelecido pela Mesa de Monitoramento do Mercado de Biometano, no Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro, coordenado pelo MME.
Fonte: Eixos
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