Em artigo publicado no portal da agência eixos, o senador Laércio Oliveira (PP/SE) e o secretário executivos de Desenvolvimento Econômico do Sergipe, Marcelo Menezes, afirmam que
O Brasil precisa voltar a discutir energia a partir da realidade econômica. Não existe indústria forte sem energia competitiva. Não existe reindustrialização sem infraestrutura. E não existe país livre de apagão sem fontes capazes de garantir fornecimento firme ao sistema elétrico. Foi exatamente esse debate que orientou a construção da Lei do Gás. Quando o Congresso aprovou o novo marco legal do setor, o objetivo era claro: abrir mercado, estimular concorrência, atrair investimentos e criar condições para reduzir o custo do gás natural no Brasil. Durante décadas, convivemos com um ambiente excessivamente concentrado, pouca infraestrutura e um insumo caro para a indústria brasileira. Esse cenário começou a mudar nos últimos anos.
Maior segurança jurídica
A Lei do Gás ajudou a criar um ambiente de maior segurança jurídica para investidores, estimulou novos projetos de infraestrutura e fortaleceu a abertura gradual do mercado. Também permitiu o ingresso de novos agentes privados, da importação de gás natural liquefeito (GNL) e de projetos voltados ao mercado livre. Tudo isso ampliou a competitividade do setor. Os efeitos dessa transformação começam a aparecer de forma concreta. O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026 contratou cerca de 19 gigawatts (GW) de potência em 100 empreendimentos vencedores. O resultado do certame mostra que o país começa a consolidar um ambiente mais maduro para investimentos em geração e infraestrutura energética. Esse movimento não aconteceu por acaso. A combinação entre expansão da oferta, maior concorrência, novos agentes e melhoria regulatória ajudou a tornar o certame mais competitivo e ampliou significativamente o número de projetos apresentados ao leilão. O Brasil começou, finalmente, a consolidar um mercado de gás mais amplo e competitivo.
Objetividade
Há também uma discussão que precisa ser feita com objetividade. Um sistema elétrico seguro depende de complementariedade entre fontes. O Brasil possui vantagens extraordinárias em geração hidrelétrica, eólica e solar. Mas nenhuma matriz elétrica de grande porte funciona apenas com fontes intermitentes. É necessário haver capacidade firme disponível para garantir estabilidade e segurança energética nos momentos de maior demanda ou menor geração. O custo de estruturar o sistema elétrico é menor do que o custo de improvisar quando falta energia. Racionamento, interrupção de produção industrial e contratação emergencial sempre custam mais caro para o país. Entre as fontes firmes hoje disponíveis em escala para garantir segurança energética ao sistema elétrico brasileiro, as termelétricas a gás natural estão entre as alternativas com menor emissão de gases de efeito estufa. O gás natural não substitui o avanço tecnológico nem elimina a importância de outras fontes. Mas é, sem dúvida, um combustível estratégico para assegurar estabilidade ao sistema enquanto o país amplia sua capacidade de geração.
Economia digital
Essa discussão ganha ainda mais importância diante do avanço acelerado da economia digital. Data centers, inteligência artificial e infraestrutura tecnológica exigem enorme capacidade energética e dependem de fornecimento firme, contínuo e previsível. Nenhum país conseguirá atrair investimentos relevantes nessa nova economia sem segurança energética. O gás natural tem papel relevante nesse processo. O mundo inteiro vem fazendo essa discussão de forma pragmática. O Brasil também precisa ter clareza com relação a essa questão. Infraestrutura energética não pode ser tratada como pauta secundária. É preciso ter planejamento e compreender que nesse setor não cabe improvisos. Quando um país consegue oferecer gás competitivo, energia firme e segurança regulatória, ele atrai investimentos industriais, amplia cadeias produtivas, fortalece sua economia e cria condições para receber projetos de tecnologia e data centers, que dependem de fornecimento energético estável e previsível. Foi exatamente isso que ouvimos repetidas vezes durante a tramitação da Lei do Gás: a indústria vai aonde o gás está.
Case Sergipe
Sergipe vive esse processo de maneira muito clara. Nosso estado reúne ativos estratégicos importantes, como infraestrutura portuária, terminal de gás natural liquefeito (GNL) e projetos relevantes de produção em águas profundas. O avanço do mercado de gás e os investimentos decorrentes do LRCAP fortalecem ainda mais o papel de Sergipe como polo energético nacional. Os investimentos previstos para expansão da geração no estado já estão movimentando a construção civil, logística, serviços especializados e qualificação profissional. Mais do que isso: ajudam a criar um ambiente favorável para atração de novas indústrias, operações tecnológicas e novos negócios. O Brasil possui uma oportunidade rara de transformar sua disponibilidade energética em ganho de competitividade. Para isso, precisamos continuar avançando na abertura de mercado, na expansão da infraestrutura e na construção de um ambiente regulatório estável. A Lei do Gás foi um passo importante nessa direção. O LRCAP mostrou, na prática, como esse ambiente mais competitivo começa a produzir resultados concretos para o país.
Fonte: Eixos – Laércio Oliveira , Marcelo Menezes
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