A Petrobras anunciou que o Campo de Búzios atingiu a produção de 1,2 milhão de barris/dia de petróleo, apenas três dias após anunciar outro recorde impressionante, de 1,1 milhão de barris/dia. Por diversas razões, a Petrobras festeja os recordes da produção de óleo, mas é discreta quanto à produção de gás. Gargalos no tratamento do gás (com bastante contaminantes que não podem ser exportados), gargalos na produção (quatro das oito plataformas em operação não foram programadas para exportar gás) e gargalos na infraestrutura de escoamento só serão superados com a entrada em operação da 12ª plataforma do megacampo em 2030. As notícias não são tão ruins assim como parece à primeira vista. A produção de gás em Búzios alcançou 38,1 milhões de m³/dia em maio, conforme a ANP. O volume representa um crescimento de cerca de 25,7% em relação aos 30,3 milhões de m³/dia registrados no mesmo mês do ano anterior. Em maio, a Petrobras começou a produzir gás na plataforma P-79 com três meses de antecedência em relação ao que está previsto no Plano de Negócios 2026-2030. A plataforma é capaz de adicionar até 3 milhões de m³ diários, embora esse volume não esteja necessariamente disponível para o aumento da oferta de gás no Brasil. Outra boa notícia é a natureza do gás produzido pelo Campo de Búzios. Assim como outros campos do pré-sal, a composição do gás produzido em Búzios ajuda a explicar seu valor estratégico. O metano corresponde a menos de 68% da produção, seguido por 11,42% de etano, 7,73% de propano e 3,70% de butano, segundo a ANP. Ou seja, além do metano utilizado basicamente como combustível e já altamente demandado pelas distribuidoras, comercializadoras e principalmente a indústria, as frações mais pesadas têm outros potenciais clientes; o etano, como matéria prima para a petroquímica transformar em eteno, e o butano e propano, base do GLP.
Mas com a entrada da última plataforma programada, o FPSO Búzios 12 – ora em licitação e previsto para operar após 2030 – a exportação do campo, que atualmente é de 7 milhões de m3/dia, poderá aumentar em mais 5,5 milhões de m3/dia, graças a uma unidade de tratamento (UTG) a ser instalada na plataforma com capacidade para 12 milhões de m3/dia. O FPSO operará também como um hub logístico e passará a exportar o gás produzido pela P80, P82 e P83, unidades que hoje não possuem facilidades para tratamento e exportação do gás. Ao final, restará apenas o FPSO Almirante Tamandaré como única unidade sem capacidade para exportar gás, reinjetando o energético de volta ao campo. A unidade de tratamento tem dupla importância para a exportação do gás, ao reduzir a reinjeção e otimizar o custo de escoamento para a Petrobras, até a unidade de processamento (UPGN). Hoje, sem ela, de todo o gás produzido, incluindo CO2, metade é reinjetado pela dificuldade de separar o gás na corrente rica em CO2, parte é queimada e parte é usada nas próprias plataformas.
Mesmo com o aumento na capacidade de tratamento, Búzios dificilmente escoará toda sua produção de gás para a costa, a se considerar o planejamento atual da Petrobras. A reinjeção é crescente no campo, para manter a produção de óleo. Em abril, as oito plataformas de Búzios injetaram a média de 27,8 milhões de m3/dia no campo ou 103,6 milhões de m3 nos quatro primeiros meses do ano, segundo a ANP. Na logística de escoamento, os dois gasodutos de exportação Rota 2 e o recém-inaugurado Rota 3 têm capacidade conjunta de 38 milhões de m³/dia. Ou seja, Búzios já produz sozinho um volume de gás equivalente à capacidade combinada dos dois gasodutos e a produção total do campo deverá ainda crescer cerca de 75%.
Fonte: Brasil Energia
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