Em artigo publicado em A Tribuna (Santos/SP), o CEO da Edge, Demétrio Magalhães, afirma que
A Baixada Santista sempre foi um dos principais polos industriais do Brasil. Agora, reúne as condições para assumir um novo papel estratégico: tornar-se um dos grandes hubs de descarbonização do País. O mundo vive um momento de reflexão sobre a segurança de sua matriz energética. O conflito no Oriente Médio reforçou um ambiente de incerteza e volatilidade no mercado internacional de petróleo. Nesse cenário, segurança energética deixa de ser apenas uma questão econômica e passa a ser uma prioridade nacional. Isso traz um desafio para o Brasil, ainda dependente do óleo diesel. O combustível representa 43,4% do consumo de energia no transporte, segundo o Ministério de Minas e Energia. A frota nacional soma mais de 3 milhões de caminhões movidos a diesel, responsáveis pela emissão de cerca de 120 milhões de toneladas de CO2 por ano. No exterior, países como Estados Unidos, China e membros da União Europeia vêm adotando caminhões movidos a GNL como estratégia para reduzir em até 25% as emissões de CO2, segundo dados da ACV Brasil, além de cortar mais de 80% das emissões de óxidos de nitrogênio e material particulado. A China, por exemplo, já tem 10% de sua frota de caminhões movida a GNL. Ao mesmo tempo, a indústria e as empresas brasileiras de logística buscam alternativas competitivas para avançar na transição energética. Mas ainda enfrentam desafios, sobretudo em setores de difícil descarbonização e eletrificação.
Para consolidar esse processo, o Brasil precisa superar uma insuficiência histórica de infraestrutura, com uma malha de gasodutos ainda inferior à da Argentina. Nesse contexto, o modelo de suprimento off-grid ganha relevância. A solução permite ampliar o acesso ao gás sem depender da expansão da malha física, levando energia mais competitiva e sustentável a indústrias e frotas no interior do País. Esse movimento já começou, e a Baixada Santista está no centro dessa transformação. A região tem histórico de sucesso nessa agenda. Nos anos 1990, o gás natural foi um dos principais vetores da recuperação ambiental do Polo Industrial de Cubatão. Hoje, a Baixada reúne um conjunto singular de ativos: o maior porto da América Latina, um dos principais polos industriais do País, conexão com o mercado internacional de energia e novos investimentos em gás natural. Essa combinação cria as condições para liderar uma nova etapa da transição energética brasileira. O terminal de GNL em Santos já é a origem de dezenas de carretas criogênicas que abastecem projetos no interior do País — de uma planta de celulose no Triângulo Mineiro a uma operação logística pioneira que deverá atender pelo menos 160 carretas até 2027. Durante décadas, a Baixada Santista foi a principal porta de entrada de mercadorias do Brasil. Agora, reúne as condições para se consolidar também como a porta de entrada de uma nova matriz energética: mais resiliente, competitiva e descarbonizada. Liderar essa transformação não é apenas uma oportunidade regional — é uma agenda estratégica para o desenvolvimento do País.
Fonte: A Tribuna (Santos/(SP)
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