O avanço das renováveis na matriz energética brasileira exige um fornecimento de gás flexível para compensar a intermitência das fontes renováveis, defende o CEO da GBS Storage, Celso Silva, que defende a estocagem subterrânea de gás como parte da solução. “Hoje nós temos uma incidência muito grande de renováveis na nossa matriz, que precisa ter algum tipo de fornecimento de gás flexível para garantir essa diferença quando não tem a solar e a eólica”, afirmou. Segundo ele, os Estados Unidos vivem situação semelhante e já entram no segundo ciclo de investimentos em estocagem — experiência que a GBS pretende trazer para o Brasil.
Estocagem não é solução única, mas complementa térmicas e baterias
Silva ponderou que a estocagem subterrânea “não é a solução para tudo”, mas garante flexibilidade para fornecimento por poucas horas, como previsto no leilão de reserva de capacidade (LRCAP). Ele defendeu que o conjunto de infraestruturas de midstream — estocagem, térmicas, baterias e importação de GNL — será necessário para atender a demanda. “As baterias não são competidoras, complementam, são fundamentais. Você precisa de uma reserva para algumas horas, mas depois vêm as térmicas”, explicou.
GBS pede à ANP extensão da concessão de Manati para armazenamento
O CEO informou que o consórcio que opera o campo de Manati, na Bahia, apresentou à ANP um pedido de migração do ativo para armazenamento subterrâneo. A GBS detém 20% do campo, em parceria com a Petrobras com 35%, e a Brava com 45%. Segundo ele, a concessão termina em 2029 e as alternativas seriam o descomissionamento ou a conversão em campo de estocagem. “Desde o começo, nossa leitura é que Manati, sob o ponto de vista técnico, é adequado para armazenamento”, afirmou. O pedido de postergação da concessão está em análise na agência.
Gas release exige convergência
Sobre o gas release, Silva afirmou que o tema tem sido discutido há mais de uma década sob óticas distintas. “Se você escutar somente os produtores ou somente os consumidores, cada um tem a sua visão. Chegou a hora desses dois grupos sentarem e chegar a um bom termo, de uma forma que seja ótima para os dois lados e para o país”, disse. Ele ressaltou ainda que sempre há espaço para convergência.
Flexibilidade regulatória faz o mercado crescer
Questionado sobre a agenda prioritária para o próximo governo, Silva defendeu que a regulação dê flexibilidade a todos os elos da cadeia. “Quanto mais flexibilidade a regulamentação puder dar para produtores, processadores, transportadores, distribuidores e clientes, mais o mercado cresce”, afirmou. Ele explicou que o preço do gás varia conforme a flexibilidade contratada: um gás firme por 20 anos é mais barato do que um gás 100% flexível por um mês. “Isso tem que ser discutido para que todos cheguem a um bom termo”, concluiu.
Fonte: Eixos
Related Posts
Tarifas, gas release, acesso e leilão da PPSA: não se perca na semana cheia do gás natural
Semana cheia para a agenda do gás natural. A ANP pautou, para a reunião de diretoria de sexta (02), a conclusão da 2ª fase da revisão tarifária das transportadoras – e que definirá, finalmente, a base de...
ANP nega pedido da Petrobras para prorrogar consulta do Gas Release
A diretoria da ANP negou pedido feito pela Petrobras para prorrogar o prazo da consulta pública sobre o programa de desconcentração do mercado de gás, o Gas Release. Além da estatal, um pedido de adiamento...

