O CEO da Elea Data Centers, Alessandro Lombardi, reconhece que o gás natural pode contribuir para o atendimento aos data centers beneficiados pelo Redata, sobretudo como fonte de reserva em situações de interrupção do fornecimento elétrico, embora prefira que os incentivos estivessem vinculados exclusivamente à energia renovável.
A abertura para outras fontes representa, em sua avaliação, uma concessão decorrente da negociação entre interesses econômicos no Congresso.
“Entendo que foi um compromisso bom, no sentido que é inimigo do ótimo. O ótimo para mim era 100% [renovável]”.
Para o executivo, a exigência de energia renovável seria um diferencial brasileiro na disputa pelos investimentos em inteligência artificial. “Redata era a única lei de incentivo a data center do mundo que obrigava a utilizar somente energia renovável. Era um diferencial importante”.
O Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, suspende tributos federais na aquisição de equipamentos, mediante contrapartidas de energia, eficiência hídrica, pesquisa e oferta de capacidade ao mercado brasileiro.
A lei foi sancionada em 15 de setembro, mas o setor ainda aguarda a publicação do decreto regulamentador, e a definição das fontes de baixa emissão pode ficar para uma portaria interministerial.
A possibilidade de inclusão do gás ganhou força no Senado, que substituiu a expressão fontes “limpas” por “de baixa emissão”. A alteração abriu caminho para o enquadramento do combustível na regulamentação.
Gás como alternativa ao diesel
Lombardi vê uma oportunidade de utilizar gás em substituição aos geradores a diesel que garantem a continuidade das operações quando há falhas no fornecimento de energia.
“Faz sentido a gente como indústria de data center começar a pensar o gás como energia alternativa quando eventualmente a rede caia”.
Ele também admite um papel do combustível no atendimento à demanda em períodos sem geração solar ou eólica.
Sua avaliação é de que o gás pode contribuir para a estabilidade do sistema, embora não represente sua solução ambiental preferida.
“Não é perfeito, mas o perfeito também é difícil”.
A regulamentação é o centro da disputa sobre quais projetos poderão acessar os incentivos. O MME defende a inclusão do gás, enquanto há resistência na Fazenda, que pressiona o presidente Lula para assinar o decreto regulamentador deixando de fora o gás natural.
Entre as alternativas discutidas estão condições de redução ou compensação de emissões, com uso de biometano, compras de créditos de carbono e adoção de tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS), ou uso como reserva (backup) em situações de queda de energia.
O executivo também aposta no desenvolvimento de baterias de longa duração para atender aos data centers e reduzir a necessidade de geradores.
Fonte: Eixos
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